Missão e Nova Evangelização

V Centenário do Nascimento de Francisco Xavier – 3ª parte Conclui-se hoje a publicação da Nota Pastoral da Conferência Episcopal sobre o “Apóstolo do Oriente”. S. Francisco Xavier, patrono das Missões (com Santa Teresinha), nasceu em 1506 e morreu em 1552. 2006 é o “Ano de Xavier”.

Francisco Xavier empregou em viagens, de barco ou a pé, praticamente metade dos cerca de onze anos da sua missionação. Postos em linha recta, os passos deste homem desassombrado e insaciável, dariam duas voltas e meia ao nosso planeta.

A missão na Igreja, segundo a encíclica “Redemptoris Missio” (nº 30), está hoje ainda no seu início. As mudanças sociais e a permanência de povos não evangelizados responsabilizam a acção da Igreja, se quer ser fiel a Cristo seu fundador. O crescimento demográfico no Sul e no Oriente, em Países não cristãos, faz aumentar continuamente o número das pessoas que ignoram a redenção de Cristo (cf. R.M. nº 40).

O processo de enraizamento do Evangelho nas culturas concretas de cada sociedade é ainda hoje uma exigência a cumprir. Envolve não só a mensagem, mas também a reflexão sobre ela e a acção prática consequente. Sem este processo, não há verdadeira evangelização. O testemunho de vida do missionário e do cristão, de cada família e da comunidade eclesial são as formas primárias e essenciais da evangelização.

A participação e a cooperação na actividade missionária são, por força do seu baptismo, uma responsabilidade de cada um dos membros da Igreja. Hoje, pelas facilidades que propõe o turismo ou outros géneros de mobilidade humana, tornou-se mais fácil a informação sobre os diferentes povos e sobre as próprias circunstâncias em que se procede à evangelização. Fomentam-se até geminações entre comunidades ou instituições do mundo ocidental e outras congéneres do Sul ou do Oriente, que estão a produzir frutos muito positivos.

É necessário que amadureça em todos a consciência de que “cooperar para a missão” não significa apenas dar, mas também saber receber. Todas as igrejas particulares, jovens e antigas, são chamadas a dar e a receber da missão universal, e nenhuma se deve fechar em si própria.

Ao serviço da missão e da nova evangelização, a exemplo e segundo o carisma de S. Francisco Xavier, continuam hoje a surgir vocações generosas para a vida sacerdotal, religiosa e missionária. Este centenário oferece-nos uma oportunidade de darmos graças a Deus por tantas vidas entregues à missão e de interpelarmos os nossos contemporâneos para esta entrega radical a Cristo e à Igreja, abrindo horizontes e alargando fronteiras, cumprindo o mandato de Jesus: «Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho» (Mc 16,15).

Conclusão

Ao longo da história, Francisco Xavier tem sido grande modelo de apóstolo e missionário para tantas pessoas, movimentos e institutos religiosos. Que também hoje seja nossa inspiração e nosso apoio na constituição de uma comunidade cristã, cheia de zelo apostólico, fiel à força dinamizadora do Espírito Santo. Que o seu apelo aos jovens estudantes da Universidade tenha voz renovada no zelo interpelante dos animadores cristãos e encontre idêntica resposta generosa, sinal real de que faz parte da natureza da Igreja ser missionária.