Graves omissões na acção política

Revisitar o Sínodo Diocesano No clima de eleições presidenciais à porta, vale a pena citar e comentar as estratégias pastorais que o Sínodo Diocesano de Aveiro apresentou sobre Cristãos na Acção Política, para um sério exame de consciência acerca das graves omissões que continuamos a cometer.

“O Sínodo preconiza, sem prejuízo de outras, as seguintes estratégias:

1. Divulgar e aprofundar, a nível popular, a Doutrina Social da Igreja sobre a dignidade política e o dever de participação.

2. Fomentar a implementação e a acção dos movimentos e dos grupos vocacionados para a reflexão e intervenção política, inspirados nos princípios cristãos.

3. Promover iniciativas, sobretudo a partir do Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA), da Fundação Sal da Terra e Luz do Mundo e da Comissão Diocesana Justiça e Paz, especialmente em favor dos que exercem funções políticas, sobre problemas da sociedade civil de interesse comum.

4. Procurar, através dos meios de comunicação social diocesanos, arciprestais e paroquiais, ajudar os cristãos a tomar consciência da importância e da dignidade da política, bem como do dever de participação para bem da comunidade civil”.

São vários os níveis de intervenção propostos pelo Sínodo, desde o povo cristão em geral, aos movimentos e grupos e aos próprios intervenientes directos na acção política. É um papel relevante de educação e formação, de motivação e estímulo.

Sucede que, para além da generalizada omissão, subsiste na comunidade eclesial, em muitos dos seus responsáveis, a suspeita sobre a acção política, a subtil convicção de que não tem a ver com a missão da Igreja, o receio de confusão com opções partidárias.

A opção preferencial pelos pobres, isto é, a escolha de dar a vida por uma mundo de verdade e de justiça, de graça, de amor e de paz – as características do Reino de Deus – não pode passar à margem do ensino e da prática da Comunidade Cristã. E a consequência prática disso mesmo é a urgência de estar nessa realidade que é a política de alma e coração, motivar e apoiar os cristãos, para que sejam os primeiros a tomar a peito a grave responsabilidade da participação.

Querubim Silva