O caminho do discipulado

À Luz da Palavra – II Domingo do Tempo Comum – Ano B A liturgia deste II domingo do Tempo Comum aponta-nos o caminho do discipulado, ou seja, do fiel seguimento do Senhor, como condição para realizarmos a nossa vocação cristã no mundo. Ser discípulo de Jesus é procurar, constantemente, a vontade de Deus e abraçá-la com a força do Espírito Santo.

A primeira leitura, tirada do livro de Samuel, mostra-nos como a Palavra de Deus se fez ouvir, ainda antes do nascimento de Jesus, Palavra Viva de Deus. O jovem Samuel vivia no templo ao serviço do Senhor, na pessoa do sacerdote Heli. Na sua simplicidade, docilidade e humildade, o jovem ouvia uma voz que o chamava, mas não sabia discernir que voz misteriosa era essa. Heli ensina-o, então, a escutar a voz de Deus e a mostrar-se disponível para cumprir a sua vontade. Era Deus que o chamava para o serviço do seu povo, porque Ele precisa de nós para nos enviar em missão junto de outros irmãos e irmãs, que, abafados por uma mentalidade materialista e hedonista, descuram os interesses espirituais, acabando por não dar valor senão ao que é imediato. Encontro disponibilidade interior e exterior para me aperceber das chamadas que Deus me faz ao serviço da comunidade?

No evangelho, Jesus questiona aqueles que O seguem: «Que procurais?». A sua resposta exprime o desejo de O seguirem: «Mestre, onde moras?». Jesus convida-os, então, à comunhão com Ele: «Vinde ver». O encontro destes primeiros discípulos com o Mestre foi de tal modo marcante, que nunca mais puderam esquecer o dia e a hora em que ocorreu. O encontro com a pessoa de Cristo mudou radicalmente as suas vidas e transformou-as em vidas entregues, até ao testemunho do sangue, pelo martírio. O Senhor continua a chamar-nos, pessoalmente, a uma entrega ao serviço da comunidade. Será que nós, hoje, percebemos o valor da intimidade com Jesus Cristo, que não se faz sem um conhecimento da sua Palavra, escutada, reflectida, rezada? Será que percebemos, também, que é impossível transmitir aos outros a mensagem cristã, nos mais diversos serviços pastorais e no nosso dia a dia, de modo que esta seja atraente, apetecível, transformadora, sem um trabalho anterior, pessoal e de grupo?

A segunda leitura lembra-nos que a fé cristã não se vive apenas no espírito, mas também no corpo, que é templo do Espírito Santo, e está destinado à glória futura, que se há-de manifestar em nós. Recorda-nos que todos somos chamados à santidade cristã, como filhos e filhas de Deus. Este projecto de santidade constitui um verdadeiro estímulo ao nosso esforço quotidiano, no seguimento de Jesus, de modo a incorporar-nos cada vez mais na Igreja, corpo de Cristo, templo de pessoas resgatadas e libertas a preço de sangue. Deste modo, já não nos pertencemos a nós mesmos, mas unidos ao Senhor constituímos com Ele «um só Espírito». Sinto-me atraído pela minha vocação à santidade e capacitado para perceber a novidade do amor de Deus, que me chama a seguir Jesus em cada dia?

Leituras do II Domingo do Tempo Comum:

1 Sm 3,3b-10.19; Sl 40 (39); 1 Cor 6,13c-15a .17-20; Jo 1,35-42

Deolinda Serralheiro