Cavaco e Sócrates vão entender-se ou aniquilar-se.
Clara Ferreira Alves
Única/Expresso, 28-01-06
O país precisa de sangue, suor e lágrimas. Sócrates sabe disso, e ninguém como Cavaco para explicar ao país as vantagens do sacrifício.
Constança Cunha e Sá
Sábado, 26-01-06
A questão da confiança na relação entre o Estado e os cidadãos (…) pode ser colocada mais ou menos assim. Em Portugal, cada cidadão tem de provar ao Estado que é honesto; na Inglaterra, para dar apenas um exemplo entre muitos outros possíveis, cada cidadão é honesto até se provar o contrário. Aqui, a sua palavra não vale; lá é a sua que vale. A distância entre uma atitude e outra traduz-se em toneladas de papel inútil, de procedimentos desnecessários, de custos supérfluos, de tempo perdido, que alimentam e justificam a própria burocracia. O cidadão paga, naturalmente, ao Estado na mesma moeda: sempre que pode, engana-o. É o que separa uma cultura liberal de uma cultura paternalista.(…) Repor a confiança entre o Estado e os cidadãos envolve riscos. Pode mesmo ter um preço alto a curto prazo. Terá efeitos incomensuráveis no médio prazo. Mas não mereceu uma palavra no debate parlamentar. Haverá um muro entre São Bento e o mundo?
Teresa de Sousa
Público, 28-01-06
A sociedade justa, enquanto tarefa política, não é encargo directo da Igreja, mas isso não significa que ela não deva contribuir para a “purificação da razão e prestar a própria ajuda para fazer com que aquilo que é justo possa, aqui e agora, ser reconhecido e, depois, também realizado”.
Anselmo Borges, citando a encíclica de Bento XVI
Diário de Notícias, 29-01-06
“Medo” expulsa crianças das ruas das cidades. Meninos portugueses andam menos sozinhos que os nórdicos. A culpa é da insegurança dos pais e da pouca preparação dos centros urbanos para acolher as crianças. (…). “Construiu-se uma cultura do medo da utilização do espaço público e temos pais com horror à autonomia dos filhos”.
Diário de Notícias, 29-01-06
Entre o exercício do poder e a luta pela partilha de poder, entre a política e a politiquice, os partidos esqueceram-se de que têm como objectivo o bem comum.
Inês Serra Lopes
O Independente, 27-01-06
Os partidos estão demasiado expostos nas suas fraquezas, cada vez melhor se conhecem os seus mecanismos perversos (…). O que são hoje os partidos em Portugal? Estruturas particularmente desertificadas, pouco ou nada credíveis, com problemas na cabeça, no tronco e nos membros.
José Pacheco Pereira
Público, 26-02-06
