Rita Amada de Jesus

Próxima Beata portuguesa Rita Amada de Jesus será beatificada na tarde do dia 28 de Maio, em Viseu, numa celebração presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Apresentamos a sua biografia sumária, da autoria da Ir. Maria Madalena Frade da Costa, Postuladora da Causa

Rita Amada de Jesus, viu a luz do dia a 5 de Março de 1848, num pequeno povoado da paróquia de Ribafeita, Diocese de Viseu. Tinha poucos dias de idade, quando recebeu o baptismo. Cresceu num ambiente familiar muito piedoso, onde à noite se fazia leitura espiritual, e, desde criança, manifestou especial devoção a Jesus Sacramentado, a Nossa Senhora, e a S. José e ainda um carinho muito particular pelo Papa que, por essas alturas vivia vida atribulada, a ponto de se ver exilado e, poucos anos depois, espoliado dos Estados Pontifícios.

A maçonaria, que em Portugal, por volta dos anos de 1830, se apoderou dos bens eclesiásticos, mandara encerrar todas as casas Religiosas masculinas e, nas femininas, proibia a admissão de qualquer Noviça, concorreu para o cristianismo perder alguma vitalidade. Além disso, muitos bispos e até sacerdotes descuravam seus deveres, pelas constantes lutas políticas em que se viam envolvidos.

No lar desta jovem em todos, a começar pelos pais, sentia-se a ânsia de uma autêntica vivência cristã e desejo de a comunicar a outros. Deus fez nascer nela a vocação missionária para arrancar os jovens do indiferentismo, dos perigos morais e exercer apostolado em prol da família. Chegou a andar de aldeia em aldeia a rezar; e ensinava a rezar o terço e espalhar a vontade sincera de imitar Nossa Senhora. Encontrava pessoas de vida menos exemplar e fazia tudo quanto estava ao seu alcance para que Nosso Senhor as arrancasse do mal e as trouxesse ao bom caminho. Não tardaram ameaças de morte e até houve um homicídio frustrado.

À oração juntou a penitência. Nas vindas a Viseu, começou a contactar as Irmãs Beneditinas do Convento de Jesus e conseguiu delas alguns “instrumentos de mortificação”. Cedo deu conta, juntamente com seu confessor, que Jesus a chamava à vida de consagrada, numa época impossível pelas leis ainda vigentes que proibiam admissões de Noviças. Rita continuava no mundo, entregue ao apostolado, às mortificações, esperançada de que haveria de alcançar a consagração total a Deus e rejeitando peremptoriamente pretendentes, alguns deles ricos, porque no seu íntimo já era “consagrada”. Fazia a Comunhão Reparadora; crescia no fervor eucarístico, na devoção ao Sagrado Coração de Jesus e no forte desejo de salvar almas, tornando-se missionária e apóstola. Comungando no apostolado de Rita, os pais chegaram a albergar em sua casa mulheres desejosas de conversão e de mudar de atitudes e comportamentos morais com que tinham contribuído para a destruição de famílias.

Fundadora do Instituto

das Irmãs de Jesus Maria José

Com cerca de 20 anos, viu que era imperioso consagrar-se a Deus na Vida Religiosa. Confidenciava muito com sua mãe; e o pai, embora muito piedoso, por sentir por aquela filha uma oculta predilecção, opunha-se a este desiderato. Porque importa obedecer mais a Deus que aos homens, Rita não esmoreceu e, finalmente, aos 29 anos conseguiu entrar num convento de Religiosas, a única Congregação permitida em Portugal, por ser estrangeira e se dedicar apenas à assistência. Ao confrontar o carisma daquelas Irmãs com o que lhe ia na alma, deu conta que não se coadunava com o género de apostolado para que se sentia inclinada. O Director Espiritual da Comunidade, a quem se abria inteiramente, verificou ser vontade de Deus a respeito daquela Aspirante: recolher e educar meninas pobres e abandonadas. Rita deixou aquelas Religiosas de origem francesa e, ainda de acordo com o Rev. P. Francisco Pereira S.J., procurou meios de melhor se preparar para futuro e urgente desempenho da sua especial missão. Deu entrada num colégio, onde pôde aprender ao vivo como lidar com as exigências estatais e religiosas.

Rita, humanamente rica de predicados e virtudes, profundamente piedosa, levada pelo desejo de cumprir a vontade de Deus a seu respeito, deixando-se guiar pelo Director Espiritual, ao sair do Colégio, aos 32 anos, conseguiu vencer as dificuldades de natureza política e até religiosa, para fundar, a 24 de Setembro de 1880, na paróquia de Ribafeita, um colégio e simultaneamente o Instituto das Irmãs de Jesus Maria José, seguindo o lema da Sagrada Família de Nazaré. Em breve espaço de tempo, estendeu a Obra de apostolado a outras Dioceses de Portugal; mas, nas Dioceses de Viseu, Lamego e Guarda, as autoridades políticas concelhias procuraram por todos os meios obrigá-la a encerrar a Obra. Não lhe faltaram também dificuldades económicas e ainda internas, com uma das suas religiosas. Porém, em Portugal, no ano de 1910, a implantação da República desencadeou perseguição feroz contra a Igreja, apoderou-se dos bens que o Instituto possuía, aboliu novamente as Ordens Religiosas e Madre Rita teve que se refugiar na terra natal. Daqui conseguiu localizar algumas Irmãs dispersas, aos poucos reagrupá-las numa humilde casa; e pôde salvar o Insti-tuto, enviando-as depois em grupos para o Brasil. Lá continuaram o carisma da Fundadora, que faleceu em Casalmendinho (paróquia de Ribafeita), a 6 de Janeiro de 1913, em odor de santidade, confortada pelos últimos Sacramentos. O funeral para o cemitério paroquial, presidido pelo Vigário Geral da Diocese, foi antes uma acção de graças pelo dom desta Religiosa à Igreja e ao Mundo.