Três iniciativas prometem renovar ou lançar um novo olhar sobre o património edificado de Aveiro: Requalificação Urbana na Área envolvente ao Canal da Praça do Peixe; Rede Nacional de Municípios com Arte Nova e “Criar Comunidades à Volta do Património – Viagem no Tempo”.
Requalificação urbana na Área
envolvente ao Canal da Praça do Peixe
A intervenção incide sobre as fachadas dos edifícios nas Ruas dos Botirões e do Cais dos Mercantéis, junto à Praça do Peixe. Pretende-se melhorar a imagem do Centro Histórico. “Queremos cores mais vivas, mais alegres, e substituir materiais, que nalguns casos são azulejos de casa de banho”, disse Carlos Santos, vereador do urbanismo, numa reunião com proprietários e imprensa, na semana passada.
A intervenção será feita, previsivelmente, de Julho e Novembro, e não terá qualquer encargo para os proprietários. Estes apenas têm que concordar e escolher o tipo de fachada que querem para o seu edifício (cor e material). “Os proprietários vão ter uma melhoria substancial sem gastar dinheiro”, afirmou João Barbosa, presidente da Junta de Freguesia da Vera Cruz. Como será possível? Será possível graças à parceria entre Câmara Municipal de Aveiro, Junta de Freguesia da Vera Cruz e empresas, através do Estatuto do Mecenato Social. A Câmara executa os estudos, licencia as obras, fornece andaimes, ferramenta e mão-de-obra e dá apoio jurídico. A Junta de freguesia comunica com moradores, proprietários e comerciantes, contrata mão-de-obra e seguros e acompanha os trabalhos. As empresas privadas, ao abrigo do estatuto do Mecenato, fornecem tintas, madeiras, cerâmicas e outros materiais. Para já, duas empresas, uma de tintas e outra de cerâmica, aderiram ao projecto.
Para esta renovação seguiram-se modelos de outras cidades europeias com zonas ribeirinhas como o Porto, Veneza ou cidades escandinavas. Com esta parte da cidade mais bonita, espera-se incentivar o turismo urbano. Se a renovação for um sucesso, será estendida a outras partes da cidade, a começar pela Av. Lourenço Peixinho.
Rede de Municípios com Arte Nova
Foi assinado, no dia 17 de Maio, uma Plano de Cooperação Arte Nova, que visa a criação, até final do ano, da Rede Nacional dos Municípios com Arte Nova. O Plano tem como principal objectivo fomentar parcerias entre os municípios que partilham património cultural similar, que se concretiza, em primeiro lugar, na concertação de políticas de intervenção sobre a Arte Nova e na divulgação deste património artístico. A iniciativa foi desencadeada pelo município de Aveiro e congrega os municípios de Ílhavo, Estarreja, Lisboa, Porto, Leiria, Caldas da Rainha, Espinho, Figueira da Foz, Cascais, Vila Nova de Gaia e Loures.
Em Aveiro, além de estar presente na cantaria e na serralharia artística, a Arte Nova distingue-se pela azulejaria, sendo de salientar a Casa Mário Belmonte Pessoa, o Museu da República, o Coreto do Parque D. Pedro ou o Bar “Arte Nova”, integrado no Hotel As Américas. Os municípios vizinhos de Ílhavo e Estarreja têm igualmente vários imóveis marcados por este movimento estético.
Comunidades à Volta do Património
A terceira iniciativa – primeira em termos temporais, visto que o protocolo foi assinado no dia 10 de Maio – junta a Câmara Municipal de Aveiro, entidade promotora, e os parceiros IPPAR, Universidade de Aveiro, Fundação João Jacinto de Magalhães, teatro Aveirense, Museu de Aveiro e Região de Turismo Rota da Luz, na criação de comunidades à volta do património. Por outras palavras, pretende-se dar a conhecer o património edificado aveirense através de rotas, visitas guiadas e “viagens de conhecimento pelo património”. Prevê-se, por exemplo, a criação de um itinerário pedagógico “do Barroco à Contemporaneidade”, em que o visitante passa pela Igreja das Carmelitas e por alguns dos 40 edifícios da Universidade, ou o percurso do Salgado Aveirense, centrado na Marinha da Troncalhada, e a dinamização de espaços como a Antiga Capitania, o Museu e o Teatro Aveirense com a Bienal de Cerâmica, a Mostra de Arquitectura, espectáculos de música e exposições de fotografia. Em termos de promoção, será criado um “site” próprio com ligação a todas as instituições e editado um roteiro de arquitectura contemporânea bem como outro material promocional. Este projecto implicará um investimento de 860 mil euros, esperando-se que o Programa Operacional da Cultura comparticipe com 529 mil euros.
