Dia Diocesano das Famílias “O que mais me preocupa é ver que as famílias cristãs não estão apaixonadas pelas suas próprias famílias”, disse D. António Marcelino, no primeiro Encontro Diocesano das Famílias, que, no domingo, reuniu cerca de uma centena de pessoas no Campo Escola do Corpo Nacional de Escutas, na Palhaça.
Numa tarde marcada pela chuva, as famílias tomaram conhecimento dos vários grupos e serviços cristãos relacionados com a família (ver texto ao lado) e conversaram com o Bispo de Aveiro sobre o pano-rama sombrio que enfrentam actualmente. “No casamento, há dias em que o sol brilha e outros em que a chuva cai. O dia do ‘Sim’ tem de ser todos os dias, mesmo quando a chuva cai”, disse uma senhora. Um outro pai acrescenta: “Nós não responsabilizamos os jovens na educação. Depois, divorciam-se porque não se aturam um ao outro. Vão para o casamento só a pensar em direitos. E os deveres?” Um casal alertou para as dificuldades que os casais novos enfrentam. “Por vezes, cada um trabalha numa ponta do país. Como podem ter filhos? Alguns são autênticos heróis”, disse a mulher, depois de o marido ter referido que aumenta o número de jovens que, na casa dos 30, ficam em casa: “Não saem do ninho. Não assinam a folha em branco, porque não querem correr esse risco”.
As mudanças no namoro foram igualmente referidas. “Não se namora a sério”, disse um diácono. “Em vez de namorarem, os jovens dizem ‘andamos com…’ As relações de namoro são muito pouco comprometidas, pouco preocupadas com o crescimento do outro. Por outro lado, o controlo social é ténue, de forma que os jovens podem fazer em público o que há uns anos só faziam com muita privacidade”, acrescentou uma senhora.
Outros sublinharam ainda a influência negativa da família de filho único apresentada como modelo, de algumas leis civis (facilitadoras da dissolução da família) e de certas concepções sobre o casamento (“no que te vais meter!”).
Vivência familiar em crise
Respondendo a estes sintomas e preocupações, D. António Marcelino, sublinhou que “vivemos no mundo culturalmente diferente” devido às novas tecnologias, ao trabalho fora de casa, ao ensino generalizado, às múltiplas influências sobre os mais novos…. Porém, defendeu que o que está em crise não é a identidade da família, mas a vivência familiar. “Quando não somos capazes de perceber as mudanças culturais, a tendência é condenar. Se a Família é instituição de Deus, Deus não a abandona (…). A família será sempre o espaço privilegiado para educar, crescer, viver, porque o critério fundamental é o amor”, disse o Bispo de Aveiro.
“Avozar” é muito importante
D. António pontuou a sua comunicação com casos do seu trabalho pastoral, como o do marido que ao fazer 50 anos de casado confessa: “Há vinte anos, senti que uma palavra podia destruir o nosso casamento. Engoli-a a tempo”; ou o da adolescente que, julgando-se pouco amada pelos seu pais, acaba por perceber que ninguém a ama como eles, porque são eles que se levantam cedo para trabalhar, foram eles que passaram noites em branco para dela cuidar… O Bispo de Aveiro confidenciou que a sua maior preo-cupação “é ver famílias cristãos que não estão apaixonadas pelas sua própria família” e aconselhou a que “as famílias se ajudem umas às outras”, nas dificuldades e principalmente na educação dos filhos, “que é uma coisa do coração”. Para essa ajuda mútua, existem serviços e gru-pos na diocese. Uma última palavra dirigiu-a aos avôs e avós. “Avozar é uma coisa muito importante”, disse, sublinhando que o amor dos avós distingue-se de todos os outros.
Antes da oração comunitária com que terminou o encontro, D. António apresentou o Pe Francisco Martins, que desde há meses lidera a pastoral familiar na diocese, e este apresentou a equipa de cinco casais com quem trabalha: Araújo e Idalina, Élio e Isabel, Nuno e Fátima, Geraldo e Branca, e João e Lúcia. “São casais de várias gerações, para servir a Igreja no serviço a cada família a que nos dirigimos”, disse o director do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar.
Movimentos e serviços para a Família
Existem outros movimentos e serviços dirigidos às famílias. Estes estiveram representados numa exposição durante a tarde do Dia Diocesano das Famílias.
* Escola de Pais
Surgiu na paróquia da Vera Cruz, entre os pais de crianças do 4o ano de catequese. O principal objectivo é “formar pais, famílias e demais comunidade, em assuntos inerentes à vivência do casal, dos filhos e da família alargada”.
A Escola de Pais da Vera Cruz privilegia encontros com especialistas sobre temas como distúrbios alimentares, autoridade, estímulo e punição, amor conjugal e comunicação em casal.
Este serviço conta com 14 casais e é o núcleo forte da pastoral familiar da paróquia da Vera Cruz. Tem sido contactado para estender o seu modelo a outras paroquias.
* Movimento Familar Casais de Santa Maria
Nasceu em 1957, com base na Acção católica dos meios rurais e independentes. Na diocese, está presente em Vagos.
Os grupos são compostos por 6/8 casais. Reúnem-se mensalmente. Objectivos, entre outros: vivência dos valores cristãos do matrimónio nos casais e no seio das famílias; aprofundamento da fé e da cultura religiosa; apoio à missão educativa da família; solidariedade entre famílias.
* Movimento por um Lar Cristão
Foi fundado por Mons. Joaquim Alves Brás, em 1962, que afirmava: “A Família é a principal escola das virtudes sociais, das quais todas as sociedades necessitam”. Reúne-se uma vez por mês na Casa de Santa Zita, em Aveiro, para “actividades de espiritualidade, formação, apostolado, partilha e convívio”. Está presente em oito dioceses de Portugal.
* Movimento dos Cursilhos de Cristandade
Este movimento alicerça-se no tempo forte de conversão pessoal que é o Cursilho, mas desenvolve-se igualmente no pré-Cursilho (chamada de novos elementos) e no Pós-Cursilho (vivência do fundamental cristão, no chamado “quarto dia”). O tema família é fundamental na vivência do movimento. Para os casais que fazem o cursilho, o MCC proporciona um mini-curso, um ano após o cursilho, exclusivamente sobre a família. São abordados temas como: os valores essenciais da família; a psicologia do homem e da mulher na vida do casal; o relacionamento da família com o mundo do trabalho; os direitos da família, entre outros.
* Equipas de Nossa Senhora
Tiveram origem em França, há 51 anos, estão espalhadas pelo mundo inteiro, e congregam cerca da 200 casais na diocese, distribuídos por 33 equipas (5 a 7 casais cada), principalmente na zona de Aveiro, Ílhavo e Águeda. “As equipas de Nossa Senhora têm por objectivo essencial ajudar os casais a caminhar para a santidade. Nem mais nem menos”, disse Henri Caffarel, o fundador.
As ENS reúnem-se uma vez por mês, para “aprofundar o conhecimento mútuo, rezar juntos, ler a palavra de Deus, reflectir e celebrar as alegrias da caminhada em conjunto”.
* Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar
É um serviço proporcionado pela diocese às famílias, paróquias e movimentos relacionados com a família. É coordenado pelo Pe Francisco Martins e sua equipa, constituída por cinco casais (ver final da notícia principal).
O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar subdivide-se em: Preparação Remota para o Matrimónio; Preparação Próxima para o Matrimónio (com o Curso de Preparação para o Matrimónio e o Serviço Paroquial de Noivos), Acompanhamento de Casais (Casais Novos, divorciados, recasados e espiritualidade conjugal e familiar) e Acompanhamento de Famílias Monoparentais. Alguns destes serviços estão a ser repensados pela nova equipa.
