Pe Georgino Rocha abriu debates sobre a Igreja no mundo actual “A Igreja não é concorrente do Mundo”, mas está nele como o fermento na massa – foi esta uma das ideias defendidas pelo Pe Georgino Rocha, numa comparação usual no meio católico, frente a um auditório de meia centena de pessoas, que se deslocaram à Galeria dos Morgados da Pedricosa, no passado dia 12 de Janeiro, para o primeiro de uma série de encontros-debate organizados pela Paróquia de Nossa Senhora da Glória sobre a presença da Igreja no Mundo. Esta é uma forma de comemorar os 40 anos da publicação do último documento do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes (GS).
Para o orador convidado, Pe Georgino Rocha, a melhor comemoração de tal documento é equacionando três aspectos-chave, a saber: 1. a solidariedade, considerando-nos todos responsáveis por todos; 2. os sinais dos tempos, analisados pelo método indutivo; 3. a autonomia do Mundo e das realidades temporais, percebendo que a Igreja está no Mundo e não em concorrência com ele. Todos estes elementos sustentados pela centralidade de Jesus Cristo, proposta pela GS.
A Igreja está no Mundo por meio dos leigos pelo que, questionando os presentes, o palestrante perguntou “Como evangelizamos?” E respondeu indirectamente, sublinhando que é preciso outro tipo de intervenção da Igreja. Todavia, se não há reflexão, ou porque não se vêem os problemas, ou porque os cristãos se demitem deles, como é que a Igreja há-de intervir? Na sociedade actual, é difícil encontrar um lugar para a Igreja, porque “agora já não é uma questão de maiorias, mas sim de convicções”. Daí, o cristão ter de se formar, integrando na sua formação o conhecimento dos documentos que a Igreja publica sobre os problemas actuais.
Neste contexto, surge o documento GS, que, apesar de ter sido escrito há 40 anos, é actual, é actualizável. Divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira de índole doutrinal; e a segunda, que tem sido actualizada, nomeadamente pela encíclica social do João Paulo II Centesimus Annus (1991), é uma reflexão sobre os problemas concretos da pessoa em relação com o outro: no matrimónio, na família, na cultura, na vida económico-social, na promoção da paz e na comunidade internacional.
Como nenhum documento da Igreja pode ser lido fora do contexto em que foi escrito, Pe. Georgino Rocha começou a sua intervenção com uma síntese do panorama sócio-político e económico dos finais dos anos 50 e dos anos 60, altura em que a Paz preocupava a cena mundial. Apesar de tudo, originalmente os assuntos relacionados com a presença da Igreja no Mundo não estavam previstos nos esquemas do Concílio Vaticano II. Porém, numa atitude de humildade e persistência, vários grupos de trabalho debruçaram-se sobre os problemas que, finalmente, ecoaram no documento GS, “o fruto mais maduro do Vaticano II”, no dizer do Pe. Georgino Rocha, e cujo início estabelece uma relação entre “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo” com “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.
