Frases marcantes na História do Ecumenismo

Igreja liberta de “ismos”

Enviastes-nos missionários que nos fizeram conhecer Jesus Cristo, e por isso vos estamos gratos. Mas trouxestes-nos também as vossas distinções: uns pregam-nos o metodismo, outros o luteranismo, o congregacionalismo ou o episcopalismo. Pedimo-vos que nos pregueis simplesmente o Evangelho e deixai que seja o próprio Jesus Cristo a suscitar no seio dos nossos povos, pela acção do seu Espírito, a Igreja conforme às suas exigências, conforme também ao génio da nossa raça, que será a Igreja de Cristo na China, a Igreja de Cristo na Índia, liberta de todos os “ismos”, que atribuís à pregação do Evangelho entre nós.

Palavras de um delegado do Extremo-Oriente na Conferência de Edimburgo, que reuniu várias confissões protestantes, em 1910

Fazer cair os preconceitos

O meio que se pode empregar não é o de fazer tentativas de conversões individuais, mas sim o de trabalhar para fazer cair os preconceitos que existem, tanto entre os católicos, como entre os cristãos separados. As conversões individuais tornam a acção odiosa, e não fazem mais do que aumentar a desconfiança.

Pe Fernando Portal, numa reunião com anglicanos, em 1911

Os que causaram mal-entendidos morreram há séculos

Os católicos e os ortodoxos não são inimigos, mas irmãos. Temos a mesma fé, participamos nos mesmos sacramentos e, sobretudo, na mesma Eucaristia. Separam-nos alguns mal-entendidos sobre a constituição divina da Igreja de Jesus Cristo. Aqueles que causaram esses mal-entendidos já morreram há séculos. Vamos deixar de lado as velhas contendas e, cada um no seu campo, vamos trabalhar para tornar bons os nossos irmãos, oferecendo-lhes os nossos melhores exemplos. Mais tarde, ainda que tendo partido de caminhos diferentes, encontrar-nos-emos na união das Igrejas para formar todos juntos a verdadeira e única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Carta do Arcebiso Roncalli (que viria a ser o Papa João XXIII) a um jovem ordotoxo, escrita em Sófia (Bulgária), a 27 de Julho de 1926

Oração de todos e de todos juntos

O fundo da questão é chegar a promover uma oração ecuménica em todos os grupos cristãos. Uma oração que seja eco do nosso íntimo sofrimento pelo horrível pecado da desunião. Todos pecámos. Todos nos devemos humilhar, rezar incessantemente e pedir sem desânimo os milagres da total Reunião. Não a veremos, certamente, mas o nosso dever é prepará-la, por muito longínqua que ela esteja; o nosso Cristo atende a oração unânime de todos os grupos cristãos para os reunir quando e como quiser. (…) Não basta apenas a oração ortodoxa, nem a oração anglicana, nem a oração protestante. É precisa a oração de todos e de todos juntos.

Pe Paul Couturier, grande impulsionador da Semana de Oração pela Unidade, em 1936

Possuimos já a unidade

Não poderíamos buscar a união entre nós se não possuíssemos já a unidade. Aqueles que não têm nada em comum não sofrem nada por estar separados.

William Temple, arcebispo de Cantuária (anglicano), 1945

Dispostos a pedir perdão e a perdoar

O nosso discurso volta-se com reverência para os representantes das denominações cristãs separadas da Igreja católica, os quais, no entanto, foram convidados por ela para, na qualidade de observadores, assistir a esta assembleia solene… Se alguma culpa nos for imputada por essa separação, nós humildemente pedimos a Deus perdão por ela, e da mesma forma pedimos perdão aos irmãos que por ventura se sintam por nós ofendidos; e estamos preparados também, pelo que nos diz respeito, a perdoar as ofensas, das quais a Igreja tem sido objecto, e a esquecer a que lhe foi infligida na longa sucessão de dissensões e separações.

Paulo VI, na abertura da segunda sessão do Concílio, a 29 de Setembro de 1963