Revisitar o Sínodo Diocesano “O Sínodo reconhece nos jovens uma for-ça significativa de comunhão e neles «lê o seu caminho para o futuro que a espera e encontra a imagem e o convite daquela alegre juventude com que o Espírito de Cristo constantemente a enriquece» (ChFL 46). Por isso, propõe:
– Realçar o lugar efectivo dos jovens na vida das comunidades e promover a sua inserção e intervenção no seio das mesmas.
– Desenvolver a formação cristã dos jovens, a todos os níveis, atendendo aos seus problemas específicos e aos seus valores próprios.
– Oferecer itinerários catequéticos adequados, contemplando especialmente o compromisso cristão resultante do Crisma e a opção vocacional.”
Sábias palavras as do II Sínodo Diocesano de Aveiro. Antes de mais, porque são um desafio à Igreja aveirense para que se volte para o futuro. Não apenas para os jovens que são o futuro; mas para o futuro que os jovens anunciam.
As “culturas juvenis” são o produto mais evidente da sociedade que se vive, são a expressão mais clara da “cultura” que se plasma. Podemos mesmo dizer que são uma manifestação de certos “sinais dos tempos”, a que a Igreja não pode deixar de prestar atenção.
Depois, é preciso ir! Ir à procura de perceber as razões destas “culturas”, o potencial positivo que elas poderão significar na vida da Comunidade. E acolher: as interpelações que elas trazem à “enfadonha repetição” do passado, como força de renovação de linguagem e manifestações de realidades novas que se vivem no mundo de hoje. Na sequência disso, recriar a Comunidade em expressões inclusivas, onde os jovens sejam o que podem e devem ser.
É evidente que tal prática pastoral reclama profunda conversão interior: ver, primeiro; iluminar, depois; nunca julgar com pré-conceito. E suscita a necessidade de imaginar processos e estímulos novos, itinerários diversificados e específicos de comunicação da Mensagem, abordagem de problemáticas novas – as que estão no cerne da configuração das pessoas para este tempo que é o nosso. Ou não é o Evangelho a fonte de onde se tiram, constantemente, coisas novas e coisas velhas?
É sabido que se aprende ouvindo e vendo. Mas é inegável que se aprende sobretudo fazendo. Hoje, o processo “catecumenal” é o único caminho de crescimento na fé válido para todos. Diria que o é de um modo mais claro para os jovens. Será, talvez, longo e paciente. Numa sociedade de anomia e abúlica, o caminho de construir estrutura interior de valores e a consolidação de compromissos serão mais lentos. O que não significa menos eficientes.
Querubim Silva
