Caminho de glorificação

À Luz da Palavra – II Domingo da Quaresma – Ano B A liturgia deste domingo, como que numa antecipação da Páscoa, abre à nossa contemplação o mistério da glorificação do Senhor, após a sua entrega à morte na cruz.

A primeira leitura narra-nos a história de Abraão e o sacrifício de seu filho Isaac. O patriarca Abraão sentiu-se de tal modo em aliança com Deus, que percebeu, como uma exigência interior, a obrigação de lhe oferecer o seu filho único em sacrifício. Habituado a obedecer a Deus e à sua consciência, onde percebia a voz do Senhor, Abraão não hesita em sacrificar o que de melhor possuía, o seu filho Isaac. Contudo, o Deus de Israel, ao contrário dos deuses pagãos, nunca aceitou sacrifícios humanos e, por isso, não deixou que Abraão consumasse a imolação de seu filho. Abraão obedeceu a Deus. A sua obediência valeu-lhe conservar vivo o filho e uma maior bênção de Deus em numerosa descendência; nele todas as nações da terra foram abençoadas.

Abraão tornou-se, assim, o nosso pai na fé. Sou sensível à voz de Deus e, nas minhas opções quotidianas, procuro obedecer-lhe e oferecer-lhe a minha vida?

A segunda leitura mostra-nos como Jesus realiza, até ao fim, a figura de Isaac e como o amor de Abraão é imagem do amor misericordioso do Pai por nós. Não aceitou o sacrifício de Isaac, mas entregou o seu próprio filho Jesus à morte, para nos libertar de todos os nossos pecados e nos garantir a salvação definitiva. Uma vez salvos pela morte e ressurreição de Jesus, nós, eleitos de Deus pelo baptismo, não poderemos ser condenados por ninguém no que se refere ao julgamento decisivo. Ainda mais, Cristo ressuscitado intercede, constantemente, por nós junto de Deus, o que nos enche de uma total confiança.

Habitualmente manifesto a Deus a minha gratidão pela salvação que me oferece em Jesus Cristo? Procuro fazer de Jesus o meu maior Amigo?

O evangelho narra-nos o episódio da Transfiguração de Jesus no alto do monte Tabor. Esta cena, apenas observada pelos mais íntimos de Jesus, tem a pretensão de os fortalecer na certeza da sua divindade, a fim de que eles se tornem testemunhas fiéis, após o “escândalo” da cruz. Foram muito breves os momentos de contemplação de Jesus transfigurado, com o rosto e as vestes resplandecentes. Porém, a experiência espiritual dos discípulos foi tão intensa e inefável, que só desejariam ficar ali, extasiados. Mas a voz do Pai fez-se ouvir: “Este é o meu Filho muito amado, escutai-O”. Os discípulos, e nós com eles, somos chamados a ouvir a voz do Pai, que nos fala em Jesus, e nos convida a subir o monte da Agonia e da Crucifixão de Jesus, para com Ele escalarmos, também, o monte da Transfiguração.

Costumo viver as horas de sofrimento como caminho de glorificação? Como testemunho aos não crentes a fé que herdei de Abraão e dos primeiros cristãos?

Leituras do 2º Domingo da Quaresma – Ano B: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Sl 116 (115); Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10.

Deolinda Serralheiro