Vocação de predilecção, seguimento sem condições

Catequeses Quaresmais Às segundas. As catequeses quaresmais do Bispo de Aveiro tiveram início na noite de anteontem, segunda, no Salão de S. Domingos, junto à Sé. O salão esteve cheio, o que quererá dizer, logo à partida, que a segunda-feira é um bom dia para a maioria das pessoas, ao contrário das sextas do ano passado, que tiveram menos participação. A próxima catequese será no dia 13 de Março, às 21h15. Convém levar Bíblia. Tema: Dinamismo e compaixão de Deus.

“Lectio divina”. Este ano, as catequeses assumem a forma de “lectio divina” (“lição divina”), isto é, a meditação por etapas de um texto bíblico. Na primeira etapa, lê-se o texto sem qualquer comentário ou juízo, isto é, o mais objectivamente possível. O texto escolhido para tema do primeiro dia, “Vocação de predilecção, seguimento sem condições”, foi o do Jovem Rico, de Mt 19,16-26. Na segunda etapa da “lectio”, pergunta-se: “O que me diz a mim a Palavra de Deus”? Trata-se de pôr o ouvinte no centro do texto bíblico. Agora, o “jovem rico” não é uma personagem anónima da Judeia do séc. I, mas o António, a Maria, o Miguel, a Leonor do séc. XXI. Na terceira etapa, entra-se em contemplação, assim descrita: “A Palavra que escutei e meditei leva-me a contemplar e a responder. Quais os sentimentos que quero manifestar e comunicar ao Senhor que me falou e interpelou?”

Exemplos. A “lectio divina” foi antecedida por palavras sobre a “vocação à vida, à fé a à participação na vida divina”, que “constituem a grandeza impar de cada um de nós”. D. António Marcelino lembrou grandes vocações que tecem a história da Igreja: «Os santos são os que fazem esta experiência de serem de Deus em tudo. Muitos O seguiram, deixando tudo por Ele. Agostinho de Hipona confessa que, depois de ter gozado tudo, só em Deus encontrou resposta e repouso; Inácio de Loyola (“Eu servia reis em batalhas, fiquei ferido e nenhum me veio visitar. Mas descobri que um deu a vida por mim, Jesus.”) conta que, na leitura da vida dos santos e na Bíblia, descobriu o verdadeiro tesouro; Teresa de Ávila testemunha que viveu vinte anos de mediocridade, até abrir os olhos à verdade do Amor e poder dizer: Só Deus basta.”; Francisco de Assis troca a riqueza e fama por Jesus, caminho verdade e Vida…”

A reter. No meio de uma catequese que vale principalmente pelo que cada partici-pante dela fizer, D. António deixou algumas frases a reter. Como estas: “Confundimos a verdade com a vivência profunda da verdade. Falamos em ‘graça de Deus’, ‘Eucaristia’, ‘con-versão’… com banalidade. A riqueza inesgo-tável perde-se na repetição banal. A fé leva-nos a ouvi-las como última novidade”. Ou “Jesus foi para todos dom oferecido, mas não foi para todos dom acolhido”. E, para terminar, a definição clássica de pecado: “Pecado é aversão a Deus e conversão às criaturas; conversão é aversão (no sentido de relativização) às criaturas e voltar-se para Deus”.

J.P.F.