Longanimidade e algo menos – Parte II

Sobre tudo o que foi firmado e não afirmado – a liberdade de opinião é perigosa – na primeira parte, deste artigo. Prosseguimos adiante. Haverá por aí a teoria da conspiração global, ou a histeria dos meios de comunicação, ou ainda, o consumo em massa, no envio e propagação das terríveis mensagens subliminares, como panacéia para a problemática social. Não resisto a citar, outro exemplo, tipo “ópera-bufa”. Dois trilhões (2.000.000.000.000): dois mil bilhões de dólares. Imagine uma pilha de notas de 100 dólares, alta, 40 vezes o Monte Everest (350Km!). Esse é o custo que os Estados Unidos poderão pagar para a guerra no Iraque entre 2003 e 2010. Esse cálculo é de Joseph Stigliz, premio Nobel para a economia e opositor da guerra do Iraque. Ele considera os aumentos do petróleo, como também as pensões que o Estado deverá desembolsar às viúvas dos soldados mortos e aos inválidos de guerra. As estimativas mais prováveis é que os custos fiquem em torno de 1026 e 1854 bilhões de dólares: mas a situação pode degenerar. Em seus cálculos, Stigliz considerou também a progressiva diminuição do contingente do exército americano (Fonte: Famiglia Cristiana). Nós, os humanos, definitivamente, somos algo menos.

A Bolsa dos Valores, conhecimento é ouro, progride e a sua suavidade perversa, de encantamentos desumanos, aumenta sem vergonha ou culpa: vamos todos investir no pecado!? Lucramos a salvação, ou a perdição. Só o lucro vale. Será mesmo assim? Nós não vivemos num jogo de palavras cruzadas, sem solução coerente. Apesar da incerteza lógica e do esplendor do caos técnico, a Verdade resistirá, com lon-ga-ni-mi-da-de, ás nossas mentiras e possíveis negações.

Chega-nos esse mínimo de transparência? O qual nós abomi-namos, “nós”, plural majestático. Por essa razão, e noutras imperceptíveis, não somos capazes de uma (r)evolução interior. Para que perguntar e escutar quem sabe, para que pôr a cabeça a funcionar: rezar, pensar, escrever? Tudo o contrário da longanimidade; e “isso” faz-nos falta na plasticidade social que nos molda.

Seguem-se outras pérolas. Nenhum rigor, nenhum método, nenhum produto mental, nenhum quadro da natureza, simplesmente, o “desleixo” como paradigma do ser. Penso para além da insustentável leveza do ser. Sempre presente, esse sentido do abandono, que exprime o “desleixo” (cfr. Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes do Brasil). Então, arrasada a idéia de um Deus providência e liberalidade. Não é possível o mínimo de honestidade na Revelação. Perigosa essa mentalidade bancária e guerreira. A impossível ética do privilégio instala-se. Alguém confidenciava: “Aparentemente, nós (brasileiros) nunca perdemos a oportunidade de perder a oportunidade de mudar as coisas”. Eu confesso, somos todos muito iguais, nas nossas diferenças, por isso, em mim, a luta é insana, no que sou, e no que faço fazer a outros. A resposta estará na parábola do trigo e do joio. Novamente, o evangelho é insuperável em sabedoria prática.