Grande Movimento Social

Questões Sociais 1. No discurso de 25 de Abril, o Presidente da República sugeriu a criação de um movimento cívico a favor da inclusão (portanto contra a pobreza e a exclusão). O convite é notoriamente oportuno, e é pena que a sociedade não tenha reagido de maneira convincente. Toda a “sociedade civil” se poderia comprometer neste Movimento, realçando-se nela todo o 3º sector (sem fins lucrativos), liderado pelo trabalho voluntário, os parceiros sociais e as forças morais de base confessional ou laica.

2. Vem a propósito lembrar que, em 1991, na encíclica “Centesimus Annus” (n.º 3), João Paulo II sugeriu a criação de um “grande movimento empenhado na defesa da pessoa humana”. Tal movimento poderia basear-se na “actividade fecunda de milhões e milhões de homens (…) actuando individualmente ou inseridos em grupos, associações e organizações (…)”.

Bento XVI retoma, até certo ponto, a mesma ideia, na encíclica “Deus Caritas est” (n.º 30). Aí refere que, “para o progresso em vista de um mundo melhor, é necessária a voz comum dos cristãos”. E, citando João Paulo II, salienta o empenho em “fazer triunfar o respeito pelos direitos e aspirações de todos, especialmente dos pobres, humilhados e desprotegidos”.

3. Um “movimento cívico a favor da inclusão”, ou um “grande movimento empenhado na defesa da pessoa humana, “implica não só o diagnóstico e denúncia de situações condenáveis e a promoção de obras pontuais de resposta. Isso é bom e necessário, mas não basta: impõe-se que o Movimento congregue as pessoas e suas organizações na consciência dos problemas, na análise das respostas existentes e em falta, bem como na promoção das respostas necessárias, em todos os níveis, mais definitivas ou tão só provisórias.

4. Parece recomendável que as entidades promotoras do Movimento sejam de âmbito nacional e tão representativas quanto possível. Na esfera eclesial, a Acção Católica, a Cáritas, a Sociedade de S. Vicente de Paulo, a União das Misericórdias Portuguesas, a Pastoral da Saúde e outras instituições representadas nos secretariados do Laicado e da Acção Social reúnem especiais condições para integrar o Movimento. A Comissão Nacional Justiça e Paz talvez se encontre bem posicionada para a promoção inicial e liderança.

Na esfera laica, as organizações de âmbito nacional ligadas à actividade do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado (mais de vinte de âmbito nacional) poderiam constituir uma das bases do Movimento, a par naturalmente do cooperativismo, dos parceiros sociais, de forças morais e de outras entidades.