Entre as muitas dificuldades que quem imigra tem de enfrentar, está a de encontrar uma comunidade religiosa com que se identifique. No caso dos imigrantes de Leste, a dificuldade é dupla. Além da língua, há a questão dos ritos. Os imigrantes professam maioritariamente a fé cristã ortodoxa.
Em Albergaria-a-Velha, junto à Câmara Municipal, existe há algum tempo um local de culto ortodoxo, depois de ter funcionado em Aveiro, num templo cedido pela Igreja Católica.
Alberto Teixeira, português que há duas décadas aderiu à fé ortodoxa, é presidente dessa comunidade ortodoxa, sob jurisdição do Patriarcado de Constantinopla.
“Temos celebrações nos 2º e 4º domingos de cada mês. Normalmente juntamos umas 30 pessoas. Nos dias de Natal, da Páscoa e da Ortodoxia, ou quando há baptizados, chegamos à centena”, afirma Alberto Teixeira. A principal dificuldade que os ortodoxos enfrentam é relativa à demora do Estado português em legalizar os padres.
O templo de Albergaria é dedicado a S. Nicolau, “padroeiro das pessoas que viajam e passam dificuldades”. Alberto Teixeira está satisfeito porque na sua comunidade “congregam-se à volta de Jesus Cristo pessoas das várias igrejas ortodoxas” [que, sendo autónomas, têm entre si muitas diferenças] e alguns católicos orientais [muito semelhantes aos ortodoxos, mas em comunhão com Roma]. Afinal, diz, “o ecumenismo começa em minha casa. Sou casado com uma católica praticante”.
