Conceição Quina, coordenadora diocesana do Movimento do Renovamento Carismático Conceição Quina, 52 anos, casada, mãe de três filhos, é a coordenadora do Movimento do Renovamento Carismático (RC) na diocese de Aveiro. Conheceu o movimento há 18 anos, quando foi convidada para um encontro de oração.
Aposentada da PT, Conceição Quina divide o seu tempo entre afazeres familiares, voluntariado no Hospital de Aveiro e colaboração na Cáritas. Nesta quarta entrevista a líderes de movimentos laicais, ficamos a conhecer o movimento que na Igreja Católica mais se abre à força do Espírito Santo.
Como conheceu o Movimento do Renovamento Carismático?
Foi através de pessoas que já se encontravam no movimento. Na altura, achei que o movimento não tinha nada ver comigo. A maneira como louvavam, partilhavam, agradeciam… Eu só sabia pedir. Não sabia agradecer. E via que eles agradeciam até as doenças que tinham. Não conhecia aquela forma de agradecer. Eu era uma católica pedinchona. Comecei a ver que havia ali algo de diferente, uma postura nova dentro da Igreja Católica. Achei que valia a pena apostar num movimento que não tem fundador, em que as pessoas estão sob a acção do Espírito Santo. Antes era uma católica ritualista. Limitava-me a ir à Eucaristia, a seguir os preceitos da Igreja.
O movimento ajuda-a a ser cristã?
No movimento ganhei uma consciência diferente do que é ser cristão. É estar ao serviço de todo o mundo, sobretudo da comunidade em que estou inserida, independentemente de credos ou religiões. É pôr a render os dons que Deus me deu e que eu fui descobrindo através do Espírito Santo. O movimento tem sido bom para a diocese, porque tem posto muita gente ao serviço das comunidades. Onde quer que haja grupos de RC, estão fiéis com consciência de estar ao serviço da Igreja. Não nos limitamos a ser um grupo de oração, fechado sobre si próprio. Temos de ser evangelizadores. E somos, através dos visitadores de doentes, ministros extraordinários da Comunhão ou voluntários.
Como são as reuniões habituais do RC?
Reunimos semanalmente para orar e escutar a Palavra. Carregamos as nossas baterias – como costumo dizer. Temos necessidade de ouvir o que o Senhor nos diz. Os encontros são de leitura, partilha e louvor. Uma ou outra vez alguém dá um testemunho por se sentir especialmente tocado ou agraciado pelo Senhor.
Como lida com a crítica de algumas pessoas, mesmo cató-licos, de que o RC se assemelha a algumas seitas, em certas assembleias?
Conheço essa crítica. Quem a faz mostra um grande desconhecimento do que é a Igreja, principalmente após o Vaticano II, em que João XXIII apelou à mudança. A alegria de sermos cristãos, ao estarmos num espaço destinado à oração, permite-nos louvar de uma forma diferente, mais extasiada. Só em alguns grupos podemos ter esta pos-tura. Claro que numa Missa de domingo não me vou pôr a fazer uma oração de louvor espontânea, sob a acção do Espírito Santo, ou a bater palmas. Há formas próprias de estar de acordo com o espaço em que estamos. Há momentos para tudo.
Referiu a acção do Espírito… No movimento dá-se muito valor aos dons…
Cada um faz aquilo que o Espírito inspira. Num grupo há sempre vários dons nas pessoas que o constituem. Uns têm o dom do discernimento, outros o do canto, do entendimento, da auscultação. Há pessoas que no grupo apenas auscultam a Palavra de Deus. À medida que vamos crescendo pode surgir a capacidade de fazer uma oração em voz alta ou a comunicação em línguas – o que não é facilmente compreensível para quem não anda no RC. Podem dizer como disseram dos discípulos: “Estão ébrios, estão a falar línguas que ninguém entende”. Se calhar, dizem o mesmo hoje, mas tudo tem uma explicação à luz da Palavra de Deus.
Por outro lado, choca-me muito quando vejo que há cristãos que deixam a Igreja católica e a procuram seitas. Desconhecem a riqueza que há na própria Igreja. É uma maravilha que a Igreja tenha o RC para oferecer, como tem as Oficinas de Oração, a Equipas de Nossa Senhora ou outros movimentos para os cristãos que têm ânsia de conhecer e crescer mais. É uma pena que alguns cristãos procurem remédios imediatos, curas fáceis.
Porque será que há esse desconhecimento por parte dos cristãos?
Falta divulgar os diferente movimentos que existem na diocese para haver opção de escolha. Muitos cristãos limitam-se a ir à Igreja ao domingo.
Há momentos de formação no RC?
Sim. O principal é o “Seminário Vida Nova no Espírito”. Durante sete semanas, da Páscoa ao Pentecostes, um teólogo ajuda-nos a crescer no conhecimento bíblico ou teológico. No final, no Pentecostes, há o momento da “Efusão do Espírito”, que não sendo um sacramento, é para nós o momento de renovação do Baptismo e da Confirmação. Eu andei quatro anos até à “Efusão do Espírito Santo”.
Como se pode aderir ao movimento?
Basta aparecer e querer fazer a caminhada.
Uma pessoa pode aparecer por sua livre iniciativa numa oração do RC?
Sim. Há um grupo de 60-70 pessoas que todas as terças-feiras se reúne no Salão Paroquial da Vera Cruz, a partir das 21h30, e está aberto a quem quiser participar.
Se uma pessoa for pela primeira vez sozinha não se sente deslocada?
Há sempre alguém que faz o acolhi-mento. Quando eu fui pela primeira vez, não sabia como estar, como pôr as mãos… A forma como louvavam o Senhor era diferente do que eu estava habituada. Alguém me disse: “Aquele que vem cá e que permanece é porque o Senhor o atraiu”. É é isso que acontece. A mim o Senhor atraiu-me, há 18 anos.
São todos bem-vindos! Só fechamos a porta do Salão da Vera Ctuz a partir das 22h por uma questão de segurança.
