À Luz da Palavra – 3º Domingo da Quaresma – Ano B A liturgia deste domingo convida-nos a recordar a aliança selada entre Deus e o seu Povo, na entrega dos mandamentos da Lei de Deus, que se cumprem totalmente em Jesus Cristo, no qual se estabelece a nova a definitiva Aliança.
A primeira leitura adverte-nos, seriamente, contra as idolatrias que nos levam a “adorar” falsos deuses, construídos por nós e pela sociedade, tal como a riqueza, a fama, o prestígio, o domínio. O texto afirma que só Deus é o Senhor, a quem obedecendo seremos felizes, porque as suas leis são libertadoras e sinal de predilecção para connosco. Os mandamentos de Deus recordam-nos as maravilhas que Ele realizou e continua a realizar a favor de cada um de nós. Cumprir amorosamente as suas ordens é manifestar a nossa gratidão a Deus e construirmo-nos como pessoas amadurecidas na liberdade responsável. Nas minhas opções de vida, dou prioridade à Lei do Senhor? Vivo-a com alegria e deixo-me iluminar por ela?
No evangelho, vemos Jesus a inaugurar os novos tempos. Doravante o templo é o seu corpo, onde Deus habita, porque Ele é verdadeiro Homem-Deus e verdadeiro Deus-Homem, pelo mistério da sua encarnação. O templo do seu corpo é acessível a todos: santos e pecadores, homens e mulheres, cristãos e gentios, sãos e doentes. Foi para isso que Jesus deu a sua vida na cruz. Jesus expulsou os vendedores, deitou por terra o dinheiro dos cambistas, derrubou-lhes as mesas e proibiu a entrada no templo com os animais para os sacrifícios e com o dinheiro para as ofertas ao Senhor, porque no interior do templo só podiam entrar os “puros”, isto é, os homens e adolescentes judeus, sem doença, sem pobreza, sem pecado público. As mulheres judias, os gentios e todos os que eram pobres ou pecadores públicos ou padeciam de qualquer doença estavam proibidos de entrar no local dos sacrifícios. De facto, Jesus foi muito ousado e atrevido. Como poderia Ele acabar, de uma só vez, com um templo que levou tanto tempo a edificar? Com a sua autoridade, Jesus quis inaugurar um novo templo e um novo culto, acessível a todos os que a Ele aderirem. Que lugar ocupa Jesus no culto que presto a Deus? Vivo eu a centralidade do seu mistério pascal ou consinto em rituais com “sabores” supersticiosos?
Na segunda leitura, Paulo é peremptório, ao afirmar que a verdadeira sabedoria é Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo e, para os gentios, é loucura. Porém para os são chamados à fé cristã e ao discipulado, Cristo crucificado é a manifestação do poder e do amor misericordioso de Deus para connosco. Para os que são chamados ao conhecimento íntimo de Jesus Cristo, Ele é poder e sabedoria de Deus. Ele é o único caminho de salvação. Nele, o ser humano é mais homem e mais mulher e, por isso, mais configurado com a imagem e semelhança de Deus, de que Jesus Cristo é o protótipo. Como reajo eu, quando suporto na minha carne a “paixão” de Cristo? Sinto-me identificado com Ele e a completar o mistério da sua cruz, para a salvação do mundo?
Leituras do 3º Domingo da Quaresma – Ano B: Êx 20,1-17; Sl 19 (18); 1 Cor 1,22-25; Jo 2,13-25.
Deolinda Serralheiro
