Testemunhar o amor

Revisitar o Sínodo Diocesano Estamos a celebrar a Semana da Cáritas e no rescaldo do retomar das Semanas Sociais, pela Conferência Episcopal Portuguesa. Valerá, por isso, a pena revisitar o II Sínodo Diocesano de Aveiro, sem grandes comentários, porventura mais que uma vez, para tomarmos consciência do que pensámos… e do que não fizemos.

“«Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1Cor.3,22-23). A obra grandiosa e sábia de Deus criador está entregue à responsabilidade humana. Daí a justeza da advertência paulina: «veja cada um como edifica»”.

“Liberto e solidário como ninguém, consciente de que todos os homens são igualmente convidados a participar no banquete da vida (Cf. SRS 39), o Senhor Jesus vive e anuncia que todos os bens de ordem material, cultural, religiosa e espiritual se destinam, sempre e unicamente, ao crescimento da pessoa e de toda a sociedade”.

Tratando-se de um bem comum escasso, como é a Água, Fonte de Vida, Património da Humanidade (este é o tema da semana), os princípios acima enunciados reclamam uma conversão clara de todos nós e uma actuação sem hesitações, sob pena de aniquilarmos a vida, pervertendo o equilíbrio da Natureza que o Criador entregou à responsabilidade humana.

Daí a preocupação e as decisões do Sínodo:

“Assuma a Igreja Diocesana, junto dos cristãos, a função preventiva de converter os corações a uma nova relação com as coisas, com critérios evangélicos e como meio de impedir muitas das chagas sociais”.

“Denuncie-se o consumismo exacerbado e as manipulações da publicidade que alimenta a sociedade materialista e hedonista e fomente-se, nos cristãos e nas suas famílias, a sobriedade no uso dos bens e o espírito de partilha.

Vivam os cristãos a convicção de que estão obrigados, por vocação, a aliviar a miséria dos que sofrem, próximos ou distantes, partilhando com eles não apenas o supérfluo, mas, por vezes, até o necessário (Cf. SRS 31)”.

O bem que é a água será apenas a oportunidade de aferirmos que caminho fizemos já de conversão a um recto uso dos bens, que treino fizemos para aliviar os outros não apenas com o supérfluo, mas com algo do que nos faça falta. O óbolo da viúva é que foi elogiado por Jesus Cristo, porque ela não deu do que lhe sobrava, mas do que lhe fazia falta.