… Igualdade e diferença

No Dia Internacional da Mulher, debate sobre… No Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, o Centro Universitário Fé e Cultura convidou mulheres ligadas à promoção da igualdade, para uma conversa sobre géneros, igualdade e desigualdade entre homem e mulher, mudanças necessárias, quebra de preconceitos sociais… Uma conversa que não gerou consensos, pelo contrário, serviu para levantar muitas questões entre o público, mas ajudou cada um, certamente, a questionar-se sobre o seu própria papel perpetuador de uma discriminação latente na sociedade. Participaram neste debate Margarida Santos (MS), Maria do Mar Pereira (MMP), e Ana Costa (AC), da Plataforma Portuguesa Para os Direitos das Mulheres, moderadas por Isabel Segadães (IS) (funcionária da Universidade de Aveiro e presidente da associação de protecção animal Perdidos e Achados). J.P.F.

Procura e mudança

Há qualquer coisa para mudar. Será que temos respostas para as mudanças, ou todos temos é uma procura? Há patriarcado, isto é, um poder exercido pelos homens? Há estereótipos, isto é, imagens imediatas que fazemos quando estamos perante uma mulher ou um homem? (MS)

Papel estreitinho

A questão de género é cada vez mais discutida, quando se fala de Política, Economia, Religião, Governação… Masculino e Feminino não correspondem a duas categorias fechadas. A mulher tem o direito de transgredir o papel estreitinho que lhe foi atribuído socialmente à nascença. Tem o direito e o dever. (IS)

A ciência também muda

Há uma mudança na descrição biológica da fecundação humana. Até ao final dos anos 80, o espermatozóide mais apto perfurava o óvulo. Já nos anos 90, é o óvulo que atrai e selecciona o espermatozóide e, em seguida, a sua parede absorve o escolhido. Começa aqui o verdadeiro poder do feminino. (IS)

Mais trabalho menos dinheiro

As mulheres ganham em média menos 17% do que os homens. Em média trabalham mais duas horas por dia do que os homens. (MMP)

Rótulos

Os rapazes são encorajados a assumir comportamentos de risco para a sua saúde, pelo que há uma grande mortalidade entre os rapazes dos 16 aos 24 anos em acidentes de viação e uma grande taxa de coma alcoólico. Os rapazes têm de provar a sua masculinidade. Ter muitas namoradas é positivo entre os homens. Mas, se é uma mulher que pensa assim, é catalogada de outra forma. Diz-se que o rapaz não pode brincar com bonecas, ou que as mulheres não podem ser mecânicos, que o homem não pode ser educador de infância… (MMP)

Estereótipos de género

As ideias sobre “o que deve ser um homem” ou “o que deve ser uma mulher” acabam por condicio-nar as nossas escolhas e possibilidades. O Dia Internacional da Mulher pode ser uma oportunidade e um desafio para todos e todas pen-sarmos e chegarmos à conclusão de que são questões que não dizem apenas respeito às mulheres. Dizem respeito aos homens, não como supostos agressores, mas como pessoas que são sistematicamente prejudicadas por existirem na nossa sociedade ideias sobre a masculinidade que fazem com que eles sejam prejudicados, por exemplo, nas suas emoções com a frase “os homens não devem chorar em público…” (MMP)

Igualdade depende de cada um

A reflexão crítica sobre a relação homem/mulher liberta-nos da tendência de pensar que a igualdade é algo apenas dependente dos sindicatos, da legislação, dos políticos. Não nos apercebemos de que também nós podemos ser agentes activos desta mudança. (MMP)

Humor preconceituoso

Até na nossa linguagem criamos imagens sobre ser homem ou ser mulher que não nos satisfazem. Mudar a linguagem, mudar o tipo de humor são formas de promover a igualdade. As anedotas que julga-mos inocentes são uma forma de perpetuar estereótipos. A questão é: como é que eu posso deixar de ser reprodutor de desigualdade e ajudar a mudar as coisas? (MMP)

Educação para a desigualdade

As mulheres, veiculadoras de educação, formaram crianças desiguais. Somos nós, mulheres, que perpetuamos os estereótipos. Agora menos. Mas temos que fazer esforços para melhorar. (AC)

Igualdade de género ou igualdade de oportunidades?

O que parece fundamental é que o sexo de uma pessoa não seja entrave ao que pretende fazer e quer realizar. (AC)

Responsabilidades parentais

Se os homens estivessem mais envolvidos na paternidade e tirassem licença de paternidade, o empregador não assumiria automaticamente que a mulher iria ficar x meses fora do emprego e que o homem não ficava nenhum. Se essas tarefas fossem partilhadas de facto, as mulheres deixariam de ser discriminadas. A parentalidade deixaria de ser discriminatória. (MMP)

Publicidade e preconceito

Há publicidade que perpetua a discriminação e o preconceito com base na diferença sexual. Num dos países nórdicos, houve pessoas que enviaram roupas e comida a uma marca que usava publicidade com mulheres magras e quase despidas.

A Rede de Jovens para a Igualdade organiza workshops para jovens, principalmente em escolas, em que se analisa criticamente a publicidade e se repensam campanhas sem estereótipos. É fundamental trabalhar a este nível. (MMP)

Violência contra mulheres

As verbas envolvidas no tráfico de mulheres e crianças são superiores às do tráfico de droga. Segundo um estudo da ONU, por ano, são vendidas, para fins de prostituição, 700 mil mulheres. Segundo a Unicef, faltam no mundo 60 milhões de mulheres, que foram abortadas pelo facto de o serem (aborto selectivo), assassinadas enquanto bebés por serem meninas. A violência entre mulheres não é punida em 79 países do mundo. Na Europa, mais de um quinto das mulheres são vítimas de violência doméstica alguma vez na vida. Um milhão de pessoas (mulheres e filhos) é afectado, em Portugal, pela violência doméstica. (AC)

Quotas para a igualdade

Há muitas reticências quanto ao uso deste mecanismo artificial para promover a igualdade, mas, se ficarmos sentadas à espera que as coisas mudem por si, bem podemos esperar. As mudanças são sempre disputadas, por movimentos sociais, com medidas específicas. As quotas não são uma benesse para as mulheres. São a salvaguarda de que os dois sexos são representados. No fundo, já há quotas nos partidos: para os distritos, para as juventudes partidárias, para certas sensibilidades.

Na Noruega, além de quotas na actividade política, estão a ser introduzidas quotas nas empresas públicas. (MMP)

Culpadas da discriminação

Às vezes diz-se: “As mulheres também são culpadas da discriminação que sofrem”. Aí é que está a questão. Nós todos somos culpados, homens e mulheres. E todos somos vítimas, na medida em que somos limitados por esses preconceitos que ajudamos a reproduzir. Esperar que só as mulheres se libertem da sua educação e fiquem sensibilizadas é irreal. Não se trata de “as mulheres todas juntas”, mas de todos, homens e mulheres. (MMP)

Indicadores díspares

Portugal, em alguns indicadores, está mais avançado do que outros países. A percentagem de mulheres que desempenha uma actividade profissional é mais alta do que a média europeia. No ensino, as mulheres são a maioria dos professores; mas à medida que se sobe no grau de ensino, desce a percentagem de mulheres. (MMP)

Ano Europeu da Igualdade

2007 será o Ano Europeu da Igualdade para todos e para todas. Não apenas entre homem e mulher, mas considerando também as etnias, as pessoas portadoras de deficiência, as classes sociais. (MMP)

A união faz a força

A Plataforma nasceu por duas razões: um grupo de associações achou que, se se reunisse, teria muito mais força para apresentar reivindicações e estudos e poderia conjugar sinergias; por outro lado, reunidos, podemos ter representação internacional. A Plataforma, com um ano, está ainda na fase de implantação. Queremos crescer em número de associações. (MS)

A próxima sessão do Fórum::Universal está marcada para 5 de Abril. Assunto: Cerciav, 30 anos de serviço à comunidade.