Daniel Serrão debateu estatuto dos embriões excedentários

Na Secundária de Sever do Vouga Numa altura em que se discutem, no Parlamento, as implicações éticas e sociais da Procriação Medicamente Assistida, o Professor Daniel Serrão, a convite dos Grupos de Biologia e Educação Moral e Religiosa Católica da Secundária de Sever, disponibilizou-se para apresentar a sua abordagem sobre o estatuto e futuro dos embriões excedentários. Esta oportunidade de reflexão decorreu no Auditório do Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga, no dia 19 de Abril, contando com cerca de 100 participantes.

Começando por definir quando é que deve considerar-se que começa a vida humana – que a ciência demonstra à saciedade iniciar-se com a singamia (processo pelo qual, no momento da fecundação, se dá a conjugação do gâmeta masculino com o feminino, originando-se um novo quadro genético cuja probabilidade de repetição é ínfima) – o Doutor Daniel Serrão considerou que o ideal era não haver embriões excedentários, mas, por motivos associados à ineficácia da técnica, ao longo de anos, os excedentes foram-se acumulando, o que suscita múltiplos problemas éticos. Na sua abordagem, o eminente professor sublinhou, permanentemente, que o embrião humano deveria ser tratado com a consideração que merece todo o ser humano, qualquer que seja a sua fase de desenvolvimento, dado que esta é, afinal, apenas uma entre as múltiplas fases por que o ser humano passa.

Outros problemas confinantes que mereceram a atenção do Professor Jubilado da Faculdade de Medicina foram a questão das «barrigas de aluguer», a problemática da reprodução heteróloga (em que os gâmetas – espermatozóides e/ou óvulos – provêm de fora do casal), etc. Neste último caso, o princípio invocado concede um quadro de resposta para muitos dos problemas que a este se associam: a medicina deve entender que a sua postura deve ser a de procurar tratar a infertilidade como uma doença do casal, não devendo adoptar soluções que vão para além deste quadro de referências. Como doença do casal, a solução deverá, por princípio, ser encontrada neste contexto de casal, sendo de todo de evitar, em abstracto e por princípio, soluções exteriores ao mesmo.

Esta sessão foi iniciada com uma apresentação de um bailado em Hip Hop, pelo grupo de dança, pretendendo representar uma situação de conflito, cujo mote serviu para se evidenciar que a agressão nunca deve ser solução para questões eticamente difíceis.

Luís Silva