À Luz da Palavra – II Domingo da Páscoa – Ano B A liturgia deste domingo procura responder às grandes interrogações que se nos colocam sobre a ressurreição de Jesus. Como podemos fazer uma pessoal experiência com Jesus ressuscitado e mostrar ao mundo que Ele está vivo no meio de nós e continua a oferecer-nos a salvação?
O evangelho afiança-nos que Jesus ressuscitou, para não mais morrer. Ele é o centro à volta do qual se constrói a comunidade dos seus discípulos e discípulas. Lucas diz-nos que, para fazermos a experiência pessoal com o Ressuscitado, nós, como os primeiros discípulos, havemos de percorrer o obscuro caminho da fé, até chegarmos à certeza da ressurreição, não através de lógicas humanas, mas inserindo-nos na comunidade, no diálogo com os irmãos e irmãs, que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado, em gestos de fraternidade e de serviço, pois é aqui que o Senhor se revela. Na catequese que Lucas apresenta, Jesus ressuscitado confia aos discípulos, e a nós também, a missão de anunciar, em seu nome, o arrependimento e o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Assim, a missão que nos é confiada consiste em ajudar a excluir da vida das pessoas tudo o que é pecado, isto é, o egoísmo, o orgulho, o ódio, a violência, a injustiça, e a propor-lhes que se revistam do “novo ser humano” modelado sobre a Pessoa de Jesus vivo. Que testemunho ofereço eu, ao mundo, da dinâmica de vida nova que brota de Jesus ressuscitado?
A primeira leitura apresenta-nos o depoimento dos primeiros discípulos sobre Jesus. Depois de mostrarem, através de gestos concretos, que Jesus está vivo e continua a oferecer-nos a salvação, Pedro e João convidam-nos a acolher a proposta de vida verdadeira, plena, eterna, que Jesus nos faz. A energia da nossa existência humana leva-nos a buscar, constantemente, a vida nas suas formas mais perfeitas. Esta busca, contudo, não é fácil nem linear. Esbarramos em enganos, falhas, escolhas erradas. Porém, Lucas garante-nos que a proposta de Jesus é geradora de vida, apesar de passar pelo aparente fracasso da cruz e da morte, pois só a vida vivida na entrega e no amor total a Deus e aos irmãos e irmãs, a exemplo de Jesus, tem garantia de gerar vida nova para nós e apara aqueles que caminham connosco. Os meus ideais e os meus gestos anunciam aos irmãos e irmãs, com quem me entrelaço no dia a dia, que Cristo está vivo e é dador de vida nova?
A segunda leitura coloca-nos a questão da coerência de vida. Lembra-nos que, após a nossa experiência vital com Jesus, temos de viver de forma radicalmente diferente e em coerência com os compromissos que com Ele assumimos, no dia do nosso baptismo. Esta coerência há-de ter em conta que somos débeis e frágeis e que o pecado, apesar de não ser algo de normal para nós, é uma realidade que experimentamos na nossa caminhada neste mundo. João convida-nos a tomar consciência da nossa realidade de pecadores, a acolher a salvação que Deus nos oferece e a confiar em Jesus, o “advogado” que nos entende e que nos defende. Convida-nos, ainda, a abrir o nosso coração aos dons de Deus, a acolher, humildemente, a sua salvação e a caminhar com esperança, na certeza da sua misericórdia sem condições, nem limites. Tento viver, com coerência e honestidade, os meus compromissos com Deus e com os meus irmãos e irmãs?
Domingo III da Páscoa: Act 3, 13-15.17-19; Sl 4,2.4.7.9; 1 Jo 2,1-5a; Lc 24,35-48
Deolinda Serralheiro
