Revisitar o Sínodo Diocesano O Bispo de Aveiro, no encerramento da IV Sessão da Assembleia Sinodal, a 11 de Junho de 1994, dizia aos Delegados Sinodais:
“Deus quis confiar aos seus filhos, na Igreja, a missão de Jesus Cristo – missão de salvação, acessível a todos os homens. Por isso, os chama ao apostolado, individual e comunitário, e chama alguns deles a uma permanente dedicação à causa do Reino. E, porque Deus não desiste do Seu plano salvífico, também não desiste de chamar quem o possa realizar.
Toda a acção da Igreja, porque realiza a missão de Jesus Cristo, deve orientar-se no sentido de ajudar todos os seus membros a situarem-se activamente frente às exigências concretas da Missão. De facto, nenhum cristão que personalize a sua fé como dom de Deus se pode considerar dispensado do direito e do dever apostólico, se pode dispensar de estar atento aos apelos que Deus lhe faz e aos apelos dos homens na sua caminhada em ordem a um compromisso maior e estável na Igreja, nos ministérios ordenados ou nas diversas formas de vida consagrada, para o serviço da Igreja Diocesana e da Igreja Universal”.
Recentemente, D. António apelou ao presbitério no sentido de sair para fora das paredes do templo, de fazer sentir a sua presença e identidade no seio da vida das pessoas. E, mais recentemente ainda, apontou como iniciativas necessárias aquelas se têm realizado em espaços públicos, com a reflexão de problemáticas contundentes na actualidade, em plataformas de diálogo plural, permitindo a vivência de “contactos” entre os valores evangélicos e as realidades cruciais da vida.
Esta Igreja de Aveiro precisa de uma sacudidela císmica! A grande maioria dos baptizados “consome” ofertas habituais de uma estrutura adormecida, desfasada da missão do Senhor Jesus Cristo, divorciada do Mistério da Incarnação! Não só não está atenta à Água Viva, que brota, em permanente novidade, das Fontes da Salvação, como se alheia dos que anseiam por saciar as sedes profundas da alma!
Eu sei que não é fácil continuar a “dar à multidão o pão que procura”, caminhando, ao mesmo tempo, pelas ruas e encruzilhadas da história, em busca de “novos convidados para o banquete”, já que muitos dos que o foram desdobram-se agora em fúteis desculpas para se escusarem às Bodas do Cordeiro…, porque nem entenderam o Cordeiro, nem imaginam o sabor da “refeição suculenta”, que o Senhor Jesus oferece!… Porque nós a tornámos “prato feito”, porque nós a privámos dos sabores da eternidade!
Só deste modo se entende que “comunidades” numerosas e “fervorosas” (?) continuem a “consumir” sem “produzir” apaixonados do Evangelho e apaixonados da Humanidade, que deixem o comodismo da sua “prática cristã”, para se lançarem na aventura do “fazer-se tudo para todos”.
Querubim Silva
