Cerca de dois milhares de escuteiros da Região de Aveiro “invadiram” S. Bernardo no passado domingo, 23 de Abril. Comemorou-se o Dia da Região, no dia de S. Jorge, patrono do escutismo.
S. Bernardo, início da tarde de Domingo. Muitas pessoas vêm à janela para assistir a uma procissão pouco habitual. Dois mil jovens, alinhados, de lenços amarelos, verdes, azuis e vermelhos, desfilam pela rua principal da freguesia. De vez em quando, entoam cânticos que dizem coisas do género: “a nossa secção é que manda aqui”; “melhor não há”. São os escuteiros. Têm como valor a fraternidade, mas nestas alturas gostam de competir uns com os outros, seja ao nível dos grupos mais pequenos (patrulhas, bandos, equipas), ou das secções (lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, dos mais novos para os mais velhos). A saudável competição faz parte da dinâmica escutista. Mas há outras formas de vencer.
No espaço em frente à igreja paroquial, D. António Marcelino presidiu à Eucaristia. Não se alongou nas palavras nem nos gestos, porque o “sol inclemente” fazia-se sentir sobre os escuteiros sentados no chão. Mas deu pistas (e os escuteiros gostam de seguir pistas) sobre uma vitória mais importante: “Conhecer Jesus Cristo não é só saber onde Ele nasceu; é viver como Ele; é ser seu amigo. Se estivermos com Ele, vencemos o mundo. Ultrapassamos as dificuldades”. O escutismo tem parte neste processo de amizade com Jesus Cristo, porque “é uma escola não como as outras, mas de valores, isto é, de coisas que valem”.
Dirigindo-se aos chefes escutistas, os de lenço verde-escuro, o Bispo de Aveiro sublinhou a importância da coerência na missão educativa: “O chefe é aquele que mostra na sua própria vida o valor do escutismo, sendo leal, trabalhador, com espírito de equipa. (…) Educando, educa; ensinando, aprende; comunicando, enriquece-se”. E acrescentou, lembrando o fundador: “Não é possível um escutismo sem chefes dedicados, sérios (…)”, à maneira de “Baden-Powell, homem extraordinário”.
Momentos difíceis da gente nova
D. António lembrou que “Portugal acreditou desde a primeira hora” no escutismo, que está a celebrar cem anos de fundação, e sublinhou a importância desta organização “nos momentos difíceis que a gente nova está a viver”. O escutismo “ensina o dever e dá força de vontade para cada um seguir esse caminho”, em vez de “andar atrás do que lhe apetece”, disse.
A paróquia aveirense acolheu a festa escutista por estar a comemorar 50 anos de fundação e dez anos de constituição do seu agrupamento. Na celebração, o agrupamento de Águeda transmitiu a imagem de Nª Sª de Fátima ao agrupamento de S. Bernardo. A imagem fora recebida pela Região de Aveiro, em Fátima, a 26 de Março. A sua passagem pelos agrupamentos, promovendo o contacto entre escuteiros de diferentes paróquias, é uma das formas de comemorar o centenário. Outras, como um concurso e uma exposição, serão debatidas no próximo conselho regional, no dia 14 de Maio, no Seminário de Aveiro.
A vida no tempo das abadias
A parte da manhã do dia de S. Jorge foi ocupada com jogos de cidade, como é típico de escuteiros. Grupos de jovens irrequietos e coloridos invadiram literalmente a freguesia de S. Bernardo. Os jogos recriavam a vida no tempo de Bernardo de Claraval, monge de ordem de Cister, que viveu no início do séc. XII. Por isso, os escuteiros andaram vestidos com um hábito da cor da sua secção.
Lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, ao longo dos jogos, ganharam ou construíram búzios (para lembrar aos lobitos o valor da escuta), lupas (para recordar aos exploradores a importância de observar com atenção), velas (para realçar aos pioneiros a invenção e a criatividade) e fios de prumo (que reaviva nos caminheiros a importância da coerência e da verticalidade). No final da manhã, o Correio do Vouga ouviu algumas opiniões.
Diogo Melo, 9 anos,
Lobito do Banto Preto, Estarreja
Gostei dos jogos. Tivemos que contar as janelas do pavilhão e de fazer uma poesia sobre S. Jorge. A nossa ficou assim: “S. Jorge, santo cavaleiro, / Lutaste contra o dragão / Protege os escuteiros / Com tão grande coração”.
Rita Alves, 11 anos,
Exploradora da Patrulha Castor, Angeja
Gostei muito das provas. Tive de carregar água às costas, com uma vara e um balde de cada lado. Os monges não tinham água canalizada. Gostei das provas dos paladares e dos cheiros. Adivinhei os cinco paladares: ananás, banana, pêssego, pêra e maçã!
Narciso Mendes,
11 anos,
Pioneiro da Patrulha Chacal, S. Bernardo
Estou a gostar principalmente da convivência. As provas não estão a correr lá muito bem. Agora mesmo mandaram-nos para trás. Está na hora do almoço e ainda não fizemos nenhuma.
Cláudia Coutinho,
20 anos,
Caminheira do Troviscal
As nossas actividades eram apropriadas. Ao longo do jogo da manhã, fomos construindo um prumo. O fio representa o caminho. Será que sabemos escolher o melhor caminho? O separador representa a vivência em comunidade. E o peso representa as nossas escolhas. São as nossas escolhas que nos definem.
