Bento XVI, no primeiro aniversário de pontificado “Como o tempo passa depressa!” exclamou esta manhã, em Roma, Bento XVI, ao lembrar o primeiro ano do seu pontificado perante uma assembleia de cerca de 50 mil pessoas, na Praça de São Pedro. “Já passou um ano desde que, – referiu o Papa aos presentes – de forma absolutamente inesperada e surpreendente, os senhores Cardeais quiseram escolher a minha pessoa para suceder, com pesar, ao Servo de Deus, o grande Papa João Paulo II”.
Regressado de dois dias de repouso em Castel Gandolfo, nesta audiência geral, dedicada ao seu primeiro aniversário de pontificado, Bento XVI agradeceu a Deus que, disse, “depois de me ter chamado exactamente há um ano a servir a Igreja como sucessor do apóstolo Pedro, não deixa de assistir-me com a sua indispensável ajuda”. Numa praça repleta, decorada com grandes faixas de felicitações em várias línguas, e entre aclamações e aplausos, o Papa confessou que recorda “com emoção o primeiro impacto” que teve, logo após a eleição, “com os fiéis reunidos nesta mesma praça”.
“Permanece registado na mente e no coração o encontro, a que se seguiram tantos outros”, sublinhou Bento XVI, reafirmando o que tinha dito na Missa solene de início de Pontificado: Sinto viva a consciência de não dever carregar sozinho o que, na realidade, não poderei carregar sozinho”.
Quatro milhões com o Papa
Mais de quatro milhões de pessoas já se encontraram com Bento XVI no Vaticano. A cifra exclui os números da Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha (mais de um milhão de jovens estiveram em volta do Papa), mas inclui as audiências semanais (1.121.500 fiéis), a recitação do Angelus (1.875.000 participantes) as celebrações litúrgicas (700 mil pessoas) e as audiências especiais (quase 400 mil participantes).
Agência Eclesia
Cinco temas de um ano de pontificado
O jornalista António Marujo, autor de “Um Papa (in)esperado”, na editora Paulus, resumiu em cinco temas a acção de Bento XVI no primeiro ano de pontificado, nas páginas do jornal Público (19-04-06): prioridade ao diálogo ecuménico e à aplicação do Vaticano II, aproximação aos judeus, exigência de mais rigor nas santificações, disciplina na Igreja e abertura à reflexão sobre o lugar das mulheres.
“Prioridade das prioridades”, o diálogo ecuménico teve pequenos avanços católicos e dos ortodoxos, mais ao nível das intenções, o que já é significativo, do que dos “gestos concretos” que Bento XVI referiu no discurso após a eleição.
A aplicação dos documentos saídos do II Concílio do Vaticano (1962-1965) foi outra das prioridades. Mas, neste ponto, há um aspecto com que o Papa, sinal da unidade, tem de lidar: a tensão em sentidos opostos provocada por reformistas e lefebvrianos. Os primeiros, quase provocam uma “descontinuidade” entre a Igreja pré-conciliar e a pós-conciliar. Os segundos, integristas, não aceitam o Concílio. Mas Bento XVI mostrou querer reintegrá-los na Igreja Católica.
Em relação ao judaísmo, Bento XVI, que visitou a sinagoga de Colónia, tem manifestado proximidade teológica e tem sublinhado a importância da tradição judaica na tradição cristã.
Onde se manifestou maior diferença em relação a João Paulo II foi nas beatificações e canonizações. Bento XVI suspendeu a beatificação de Leão Dehon (fundador dos Sacerdotes do Coração de Jesus – dehonianos –, acusado de anti-semitismo) e não assinou mais nenhuma beatificação ou canonização. Por outro lado, passa apenas a presidir às canonizações.
Em relação à questão das mulheres, Bento XVI, depois de ter afirmado, como cardeal, que o debate sobre o tema estava encerrado no interior da Igreja, disse, num encontro com o clero de Roma, que é importante reflectir sobre a possibilidade de lhes “oferecer mais espaço e mais posições de responsabilidade”, mesmo no serviço ministerial da Igreja.
J.P.F.
