À Luz da Palavra – VI Domingo da Páscoa – Ano B A liturgia deste domingo afirma que Deus é amor, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos é dado. Este amor divino torna-se “palpável” por nós, no dia-a-dia, pela acção de Jesus e dos seus discípulos e discípulas. Estes veiculam o amor que vem de Deus e no-lo comunicam em palavras e gestos insuspeitáveis. Deus é amor!
A primeira leitura diz-nos que o amor de Deus não tem condições: oferece-se a todas as pessoas, sem excepção. Para Deus, o que é decisivo, não é a pertença a uma raça ou a um determinado grupo social, mas a disponibilidade para acolher a salvação que Ele nos oferece, através de Jesus Cristo. Para cada um de nós, o baptismo foi esse momento de salvação amorosa, que reclama, em cada instante, o nosso “sim” ao Amor, feito de disponibilidade para acolher Deus e as suas propostas. Deus convida-nos, permanentemente, a amar toda a gente, independentemente da sua raça, cor de pele, origem, preparação cultural, lugar na escala social. Como me situo eu face à universalidade e gratuidade do amor de Deus, nos meus comportamentos para com os meus irmãos e irmãs? Sou demasiado elitista, selectivo, ou sou, no geral, aberto, imparcial e magnânimo?
A segunda leitura apresenta-nos uma das mais profundas e completas definições de Deus: “Deus é amor”. A pessoa de Jesus, o que foi, disse e fez sobre a terra, manifesta-nos esta imensidão de amor que Deus nutre por nós. Ser “filho e filha de Deus” e “conhecer a Deus” é deixar-se envolver por este dinamismo de amor e amar os irmãos e as irmãs. Só pode conhecer a Deus, quem ama, de facto. A experiência pessoal humana do amor prepara-nos para penetrar no mistério do amor divino. É por tentativas que chegamos a esse conhecimento, que não é tecido de raciocínios, mas construído a partir do modo como Deus se relaciona connosco e como nós nos vamos relacionando com os outros, pela força do amor de Deus em nós. A exigência do amor leva-me a derrubar barreiras de indiferença, de egoísmo, de auto-suficiência, de orgulho, que tantas vezes me impedem de viver em comunhão com Deus e com os outros? Que é, para mim, “nascer de Deus”?
No evangelho, Jesus revela o amor do Pai aos seus amigos. Jesus escolheu-os, chamou-os, formou-os e partilhou com eles o conhecimento e o projecto do Pai. Associou-os à sua missão e viveu com eles numa relação de confiança e de intimidade, permanecendo, embora, o centro e a referência, à volta dos quais se constrói a comunidade cristã. Nunca podemos esquecer que Jesus continua ao nosso lado, dando-nos coragem e esperança, lutando connosco para vencer as forças da opressão, do mal e da morte. Sobretudo nos momentos de crise, de desilusão, de frustração, de perseguição, que lugar ocupa Jesus na minha vida? É Ele o centro da minha comunidade cristã, à volta do qual tudo se organiza e se articula? Vivo da certeza da sua presença?
Leituras do VI Domingo da Páscoa: Actos 10,25-26.34-35.44-48; Sl 98 (97); 1 Jo 4,7-10; Jo 15,9-17
Deolinda Serralheiro
