Família – santuário da vida!

Revisitar o Sínodo Diocesano “A íntima comunidade de vida e de amor conjugal foi fundada pelo Criador e dotada de leis próprias” (GS 48). É precisamente esta “definição” do núcleo familiar que constitui o ponto de partida para toda a reflexão sinodal. Imagem e semelhança de Deus, como ser-em-relação, a pessoa humana realiza-se na comunhão íntima de vida e amor, que na matrimónio encontra a sua forma adequada.

Essa comunidade conjugal “constitui o fundamento sobre o qual se continua a edificar a mais ampla comunhão da família” (FC 21), dado que, por natureza, o amor humano é fecundo, não apenas sob o ponto de vista procriativo, como também noutras vertentes que integram a vida humana: cultural, moral, espiritual e mesmo sobrenatural.

Daí que a família seja a célula primeira da sociedade e da vida eclesial, como verdadeira igreja doméstica. Torna-se, portanto, um “habitat” insubstituível para o bem da pessoa e uma fonte de bem social e de animação cristã. Elevada a comunidade conjugal à nobreza de sacramento, é um verdadeiro ministério na vida da Igreja e ao serviço da sociedade.

O Sínodo recomenda, por isso:

– que “se promova e difunda o recto conhecimento da natureza do casal, nascido do amor mútuo dos esposos e alicerçado no sacramento da Matrimónio, como forma específica de viver a comunhão com Deus e com os outros e como sinal e realização peculiar da Aliança entre Cristo e a Igreja”;

– que “se apoiem os casais para que, através do diálogo, descubram, respeitem e estimulem a dignidade própria de cada um dos cônjuges, dos filhos e dos outros membros da comunidade familiar”.

Está aqui um verdadeiro programa-alicerce de uma Pastoral Diocesana da Família: a “catequese” sobre a realidade do casal cristão e a diversidade de relações – entre os esposos, com Deus, com os outros, com a Comunidade eclesial.

Por outro lado, é fundamental a descoberta ou redescoberta da dignidade própria e do (a) “parceiro” (a) – como núcleo fundamental da evangelização familiar. Aí se plasma o conhecimento e reconhecimento mútuo, que consolida um projecto de comunhão de vida. À Igreja cabe a tarefa de desencadear a constituição de grupos que “eduquem” para esta perspectiva, grupos que acolham e acompanhem os casais, para aprofundamento, ao longo da vida, deste dinamismo.

Querubim Silva