À Luz da Palvra – Domingo da SS.ma Trindade – Ano B A liturgia deste domingo propõe à nossa contemplação e adoração o Deus Uno em sua essência e Trino em pessoas, cuja revelação encontramos no Novo Testamento. Na verdade, o mistério do Verbo feito carne leva-nos a distinguir três pessoas em Deus. É só o Verbo que encarna. Mas não podemos descobrir a sua identidade, se não reconhecermos nele o Filho enviado pelo Pai, destinado a comunicar o Espírito Santo.
A primeira leitura interpela-nos com a frase: “Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, como fez para vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos?”. De facto, o nosso Deus é muito diferente dos outros “deuses”, criados ou imaginados pelos povos. Ele é um Deus próximo, criador e salvador. Ele é um Deus eterno, que saiu de si e veio conviver connosco. Deus tirou o véu que cobria o seu mistério e manifestou o que Ele é para nós, antes que fôssemos capazes de O conhecer e de nos aproximarmos dele. Foi Ele o primeiro a amar-nos como obra perfeita das suas mãos. Que relação alimento eu com o Deus dos cristãos? Reconheço-O na sua proximi-dade e na sua transcendência?
No evangelho, Mateus faz-nos subir ao monte, como discípulos e discípulas de Jesus, e aí escutar as suas últimas palavras: “Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei”. Encontramos, assim, revelada a identidade do nosso Deus: Uno na natureza e Trino nas pessoas. Se, por um lado, precisamos de cultivar uma humildade intelectual, que nos conduza à obediência filial para com Deus, aceitando, na fé, a revelação que faz de si mesmo, por outro lado, somos convidados por Jesus e, em nome da nossa fé cristã, a penetrar sempre mais no mistério da Trindade e a estabelecer laços de profunda intimidade com cada uma das pessoas divinas, porque cada uma tem o seu campo de actuação, conquanto o faça em união com as outras. Vivo consciente de que, pelo meu baptismo, sou habitação de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo? Que relação estabeleço eu com cada uma das pessoas da SS. Trindade?
Na segunda leitura, Paulo evoca a SS. Trindade, dizendo que nós recebemos o Espírito de Deus pelo baptismo e confirmação; este Espírito capacita-nos para chamarmos “Abba, Pai”, como filhos e herdeiros, em Jesus Cristo. Contemplamos a SS. Trindade como princípio e modelo de toda a relação humana. Nela, cada pessoa vive para a outra e age em interacção. Em perfeito entendimento. Como é importante, neste domingo da Trindade, revermos a nossa relação com o Deus trinitário e revermos, a esta luz, a nossa vida de relação familiar e comunitária! Como vivo a relação com as outras pessoas? Tenho o hábito de contemplar a vida trinitária de Deus e modelar sobre ela as minhas relações com os outros? Respeito a unidade na diversidade?
Leituras do Domingo da Santíssima Trindade: Deut 4,32-34.39-40; Sl 33 (32); Rm 8,14-17; Mt 28,16-20
Deolinda Serralheiro
