Igreja é um único movimento, lembrou o Papa no Pentecostes

Bento XVI pede transformação da confusão em comunhão Bento XVI pediu a transformação da “confusão em comunhão”, em toda a terra, ao celebrar no Domingo, no Vaticano, a Solenidade de Pentecostes.

Na homilia da Missa a que presidiu, na Praça de São Pedro, o Papa denunciou “o orgulho e o egoísmo do homem, que criam cada vez mais muros de indiferença, ódio e violência”. A resposta para essas atitudes está, segundo Bento XVI, no Espírito Santo, que permite aos corações “compreender as línguas de toda a terra”.

No final da Missa de Pentecostes, e antes da recitação do Regina Caeli, o Papa pediu um regresso “às origens da Igreja que no dia de Pentecostes se manifestou missionária, com o dom de falar todas as línguas do mundo, porque a todos os povos se destina a Boa Nova”.

“De forma diferente do que aconteceu com a torre de Babel, quando os homens que queriam construir com as suas mãos um caminho para o céu terminaram por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente, o Pentecostes do Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão”, precisou o Papa.

Bento XVI recordou que o Espírito Santo suscitou a experiência dos movimentos eclesiais que, no sábado, se encontraram com ele num encontro mundial, acrescentando: “Toda a Igreja, como dizia Papa João Paulo II, é um único grande movimento animado pelo Espírito Santo, um rio que atravessa a historia para a irrigar com a graça de Deus e torná-la fecunda de vida, de bondade, de beleza, de justiça e de paz”.

Nas saudações em varias línguas, o Papa, falando em francês, pediu que os jovens respondam à vocação ao sacerdócio e à vida consagrada e, em polaco, recordou a viagem à Polónia da semana passada, agradecendo a Deus e a cada um pelo vigoroso testemunho de fé.

Bento XVI proferiu também “uma saudação amiga a todos os presentes e ouvintes de língua portuguesa, com votos de uma noção viva da presença do Espírito Santo – o doce hóspede das vossas almas – cujo sopro vital e fecundo vos torne fortes na fé e corajosos no testemunho cristão”.

400 mil em festa com o Papa, no Vaticano

Foi num ambiente verdadeiramente festivo que cerca de 400 mil membros de movimentos eclesiais e novas comunidades se reuniram em volta do Papa, para a Vigília do Pentecostes, no Vaticano – algo que aconteceu apenas pela segunda vez em oito anos.

Bento XVI saudou os presentes e, na homilia da celebração de Vésperas a que presidiu, destacou o papel destas realidades eclesiais – que explodiram após a segunda metade do século XX – como “escolas de liberdade”.

Os novos movimentos eclesiais caracterizam-se, sobretudo, pelo facto se dirigirem principalmente a fiéis leigos, para ajudá-los a viver como católicos na sua vida quotidiana.

Numa intervenção muito aguardada, o Papa optou por valorizar o papel de movimentos e comunidades, na Igreja, face aos desafios e erros da cultura contemporânea, em especial o de “gozar a vida”.

O Papa pediu que estes movimentos sejam seus colaboradores, na construção de uma Igreja “ao serviço dos homens, em particular dos mais pobres”.