Estatuto

Ponta de Lança Esta matéria, de difícil discernimento e abordagem, tende a posicionar as opiniões, a reflexão e o estudo mais aprofundado numa análise intrinsecamente ligada à evolução semântica do termo ou à aplicação gramatical, entre o status e o statuo. Entendendo que, com recurso à matriz etimológica, a referência é “pôr numa posição determinada, estabelecer, erigir, construir, estatuir”…; encontramos, ainda, a concepção na perspectiva verbal, o de construir alguma coisa; por outro lado, verificamos a forma substantivada, a postura, posição de pé, atitude.

A arte de saber como estar num determinado momento ou percurso temporal exige autocrítica, estudo, humildade, capacidade para saber discernir.

A título ilustrativo emergem dois casos verdadeiramente paradigmáticos. A chegada dos nossos jogadores, os da selecção nacional de futebol, à Alemanha, para o mundial da modalidade, chocou a opinião pública por manifesta capacidade de perceber que o vedetismo anexo ao “saber estar” (status) liquida as empatias e, em caso de insucesso, transforma-as em assunto de grande carga onerosa para os próprios. Má gestão do estatuto!

Do outro lado da ilustração, a proposta de revisão da regulamentação da carreira docente (vulgo estatuto!).

Analisando com profundidade o documento, descobrir-se-á alguma coisa de Estatuto! Trata-se de um documento de organização global de um conjunto de pessoas que prestam serviço remunerado a todos os cidadãos que têm direito a usufruir dele (serviço). O autor, a entidade que superintende o serviço, reorganiza, de acordo com as circunstâncias actuais, as práticas e procedimentos garantindo e delineando bases estruturantes para todos os profissionais desse ofício. Coloca-o a debate! E, aparentemente por isso, cria-se uma revolução que vai de quem leu a quem pediu a opinião a quem já leu; de quem trabalha a quem colhe o proveito de quem trabalha; de quem está envolvido a quem não percebe nada das várias implicações.

Num país pobre e com dificuldades, falar de estatuto até pré-anuncia corporativismos, favores, “status”,… com alguns aspectos pejorativos!

São mais importantes os estatutos (as regras de co-organização) ou o Estatuto?

Desportivamente… pelo desporto!