Avaliação, mudança… ou descanso?

Revisitar o Sínodo Diocesano No começo do Verão, fazem-se avaliações do ano apostólico, desenha-se já o próximo. Mesmo as alterações de distribuição de clero são indício de que se pretende reorganizar, para se conferir maior dinamismo.

Deveria ser assim. Mas, na realidade, não é. De facto, muitas vezes, param-se as actividades sem qualquer revisão; “descansa-se” até Setembro, na tranquilidade de vir a repetir iniciativas e esquemas. E mesmo as nomeações surgem mais como “jogos de xadrez” ou soluções de remedeio do que fruto amadurecido de busca de gestão razoável de recursos humanos.

Antes das férias do CV, gostaria de trazer aos nossos leitores algumas afirmações sinodais sobre a Paróquia, que poderiam ser pedradas no charco do imobilismo e, porventura, questionamento à gestão de recursos. Dois lotes de afirmações, para hoje.

“Definam-se, com clareza, os critérios de renovação comunitária da paróquia, no contexto da Igreja Diocesana”. “Promovam-se e estimulem-se as experiências de renovação comunitária da paróquia e sistematizem-se as iniciativas em curso, bem como o dina-mismo suscitado pelo Sínodo”.

Supõe-se que o Sínodo suscitou dinamismo – e suscitou! Mas subsiste? A nossa Igreja Diocesana não arrancou para novos caminhos. Há alguns esforços. Mas as Comunidades Pa-roquiais, mesmo quando tomaram iniciativas novas – de acção social, de formação cristã de base… -, não entraram em velocidade de cruzeiro para se revitalizarem. O Sínodo, que começou, parou na publicação dos seus documentos.

“Instaure-se, em cada Paróquia, uma rede acessível de informação, que facilite a comunicação recíproca, a comunhão diocesana e eclesial, e torne transparente a actuação paroquial”. Não há essa comunicação! Quando os meios técnicos hoje o permitem com toda a facilidade, muitos muros de paróquias ainda permanecem impenetráveis a qualquer comunicação, pressuposto de comunhão. Nem os padres nem os leigos abriram as portadas das suas “igrejas”, para manifestarem e partilharem com os outros as suas riquezas e receberem o sol dos seus vizinhos.

Tantos recursos humanos que poderiam ser permutados! Quantos Serviços Diocesanos, criados com o maior empenho e preparados com toda a generosidade, morrem nas suas sedes, porque as Paróquias os dispensam!… Temos mesmo de pegar no Sínodo, para o não deixar ganhar bolor, sobretudo para não enferrujarmos na rotina do nosso comodismo!

Querubim Silva