(Des) Informação

Voltei a ler. Há situações que perduram incomodamente por muito tempo, que se agravam com os tempos e as situações, que se multiplicam como a grama, na proporcionalidade directa da mistura de interesses. Trata-se da desinformação. E já não é apenas a televisiva; porque a doença contagiou, na sua forma própria, a informação escrita.

É certo, em primeiro lugar, que alguma desinformação – mesmo de relevo – é involuntária. Porque há lugares e circunstâncias a que se tem acesso, enquanto outras permanecem para além de muralhas impenetráveis, cortinas de ferro inamovíveis. Sem minimizar os efeitos de uma bomba destruidora, quantas chacinas ficaram ocultas pelas malhas de regimes herméticos e ditatoriais!…

A propósito, ocorre-me a lembrança do Relatório sobre a Liberdade (Religiosa) por esse mundo fora. Seguramente que, em variados países, a recolha de informação foi difícil, deficitária… Mas, noutros, o que impediu de denunciar, por exemplo, um totalitarismo educativo por parte do Estado?… As deturpações resultantes de um mundo apenas meio visto compreendem-se; as que brotam de um “sol tapado com a peneira” não têm justificação.

Mais grave, entretanto, é a desinformação resultante da manipulação de dados. Estatísticas e quadros, simplificados, apresentados como o essencial, enquadrados por duas ou três imagens “convincentes”, tecem “verdades absolutas”. Por que não cremos em Deus, em nome da liberdade, e nos submetemos a “dogmas” tão rudimentares?… Aliás, estas parcelares estatísticas são excelentemente complementadas por entrevistas de rua, casuais, que dão palavra e visibilidade a quem convém, muitas vezes sem critério e a ser conduzidas pelos invisíveis acenos de cabeça do (a) entrevistador (a), a solicitar a resposta que lhe interessa.

Como se não bastasse, a corrida às audiências, leva a premiar a excentricidade e o conflito e a agressividade. “As mentes vazias especializam-se em extremismo intelectual, adquirindo assim notoriedade (difundindo, claro está, futilidades)”. Na realidade, as pessoas que pensam, aqueles que poderiam transmitir sabedoria, ficam na sombra, em favor de “charlatães” de toda a espécie, até do humor!

E é ou não verdade que a comunicação social chega, “à rédea solta”, aí onde alguém se junta para protestar, para agredir, para denunciar…, quase sempre sem ouvir os acusados, sem avaliar os prejuízos sequenciais dos protestos?…

Tantas cartas de direitos propostas e ratificadas!… Essa não poderia ser mais uma: um claro e exigente código de informação, verdadeiro processo educativo e expressão de superior exercício de cidadania?… É uma opinião despretensiosa.