“Voluntários de palmo e 1/2”

Educar… hoje Numa altura em que as críticas à actuação do Ministério da Educação e aos professores em geral grassam na comunicação social e nos comentários de numerosos portugueses, surge uma reportagem que parece um bálsamo para a alma. Vi-a no sábado, dia 22 de Julho, quase por acaso, no zapping que fazia por volta das 21h. “Voluntários de palmo e meio” da repórter Conceição Queiroz, da TVI, apresentou um grupo de dez crianças entre os oito e os dez anos, cujo trabalho de voluntariado os leva à Pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e a um Centro de Dia da terceira idade.

Numa altura em que se publicam cartoons denunciadores das situações que os professores vivem, apontando os piores exemplos da sua profissão, surge uma lufada de ar fresco, com um projecto de intervenção social e comunitário, orientado pela Professora Maria do Rosário, numa Escola de Alcântara, acarinhado pelos Pais/Encarregados de Educação dos voluntários de palmo e meio e abraçado de coração por esses meninos e meninas de Lisboa.

Numa altura em que se crê que nada se pode alterar, enquanto os líderes não mudarem, surge a mudança pela voz de uma menina de nove anos, a Beatriz Ferreira, que sabe adequar a sua linguagem, o sussurro, as canções, as danças e as brincadeiras às pessoas da primeira idade, como a própria disse, e às da terceira idade. Surgem meninos e meninas que nos deixam de boca aberta a receber a tal lufada de ar fresco, porque falam do essencial que é invisível aos nossos olhos, exprimem-se correctamente, têm objectivos e partilham-nos com as crianças, os idosos e os educadores.

Numa altura em que se questiona a intervenção dos Pais/Encarregados de Educação na Escola e na própria Família, surgem vários a dar a cara por um projecto que parte da Escola e que torna os seus filhos pessoas mais sensíveis e próximas do outro.

Nesta altura, fazia-nos bem, muito bem, saber que esta actividade não é a única que aproxima os alunos dos problemas sociais e humanos; não é a única no país, onde muitos projectos educativos e curriculares privilegiam a intervenção social dentro e fora da comunidade escolar, com visitas a centros comunitários, cozinhas sociais, Caritas, centros de emergência infantil, Cruz Vermelha, Banco Alimentar contra a Fome, hospitais, cadeias, Cerci’s, outras escolas; com trabalhos, neste e no próximo ano lectivo, sobre: os Desertos e a Desertificação (Ano Internacional em 2006); a Igualdade de Oportunidade para Todos (comemorado em 2007 como Ano Europeu); os Direitos Humanos (Congresso trienal da Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), que terá lugar em Lisboa, entre 20 e 25 de Abril de 2007, em plena Década Internacional para uma Cultura da Paz e da Não-Violência para as Crianças do Mundo, que se prolonga até 2010.); a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) adoptada em Dezembro de 2002 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, promovida pela UNESCO; o IV Ano Polar Internacional, a celebrar no biénio Março de 2007 / Março de 2009, que visa promover o desenvolvimento da ciência nas regiões polares e mostrar a importância dessas regiões para a dinâmica e regulação climática do Planeta.

Nesta altura, faz-nos bem saber que a Beatriz e os colegas não são os únicos que têm ideias e projectos dinâmicos, voluntários ao serviço de Portugal.