Proibido andar de pé descalço em Aveiro

Memória CV – Há 50 anos De Dezembro de 1955 a Julho de 1956, o Correio do Vouga promoveu uma campanha que culminou na proibição de andar descalço nas ruas da cidade. O regulamento do Governo Civil do Distrito de Aveiro, publicado na edição deste jornal do dia 28 de Julho de 1956, afirmava:

“Artigo 1º – A partir do dia 1 de Agosto do ano corrente [1956], é proibido na cidade de Aveiro o trânsito de pessoas descalças na via pública.

Artigo 2º – A inobservância do disposto no artigo anterior é punida com as seguintes sanções: a) Pela primeira infracção, multa de 20$00; b) Pela primeira reincidência, multa de 50$00; c) Pelas demais reincidências, além da multa prevista na alínea b), prisão por 8 a 15 dias”.

Na mesma edição, um texto resume o percurso que levou à proibição: “Em Dezembro de 1955, o sr. Dr. Manuel Dias da Costa Candal, ilustre médico em Aveiro, escreveu uma carta ao Correio do Vouga lembrando a oportunidade de este semanário tomar a iniciativa de uma campanha contra o pé descalço. O seu apelo mereceu-nos, como não podia deixar de ser, o mais decidido apoio. Sobre o mesmo assunto, publicou um vigoroso artigo, logo a seguir, o nosso antigo Director sr. Dr. Querubim do Vale Guimarães, e o mesmo fez, pouco depois, o nosso colaborador sr. Lucílio Garcia. O Governo Civil, a Câmara Municipal, outras entidades e organismos e o semanário Litoral secundaram a iniciativa, dando-lhe também o seu franco aplauso.”

Na edição de 1 de Setembro de 1956, publica-se uma carta da Liga Portuguesa de Profilaxia Social louvando a iniciativa do semanário da diocese de Aveiro. António Gil da Costa, presidente desse organismo com sede no Porto, reconhece “o importante papel que o Correio do Vouga desempenhou na proibição do pé descalço em Aveiro, secundando uma patriótica e humanitária campanha” iniciada pela Liga havia 28 anos. “Graças aos esforços desenvolvidos e às boas vontades que temos encontrado, o pé descalço será extinto em todo o país”, deseja o presidente da Liga.