Para curar as feridas mais dolorosas

Livro Eu te perdoo.

O Sacramento da Reconciliação perdido e reencontrado

Alain Bandelier

Edições Salesianas

120 páginas

A Reconciliação é um sacramento em crise. Aparentemente esta afirmação é consensual. Mas se for mais escalpelizada, ganha outros contornos. Em alguns locais – o autor fala da realidade de Paris – há padres que se prestam a confessar em horários definidos e há procura. A crise não é geral. Por isso, o autor fala igualmente de “crise da conversão”. Para quê confessar-se se tudo volta ao mesmo? Talvez esta crise seja a mais real, que é a também a crise da relevância da vida de Deus para a vida das pessoas. A crise da Reconciliação (ou Penitência, ou Confissão, ou Perdão) é somente um sintoma. A doença está noutro sito. E as desculpas habituais para a pouca frequência deste sacramento também devem ser vistas numa perspectiva mais alargada: Para quê confessar-se? “Deus perdoa sempre”. “Confessar os meus pecados? Ele conhece-os”. “Eu confesso-me a Deus directamente”. “Há muitas outras maneiras de receber o perdão dos pecados”…

Depois de abordar a crise deste sacramento (parte de uma crise mais geral), o autor realça que é “urgência pastoral” convidar à Reconciliação, fundamenta-a no Evangelho (“anulação da dívida”; “qual dos dois o amará mais”; “um presente incalculável”, “como nós perdoamos”) e sugere a “arte e maneira” de celebrar o sacramento. A tradição da Igreja e a sensibilidade das pessoas do nosso tempo presentes no livro tornam-no agradável de ler. É da abertura das portas da misericórdia para curar as feridas mais dolorosas que trata este livro. Um assunto de primeira importância, portanto.