O principal problema do mundo

Dez Palavras-Chave sobre a “Caritas in Veritate” O principal problema do mundo não são as alterações climáticas, nem a poluição dos rios, a falta de trabalho ou ateísmo. O principal problema do mundo, na visão do Papa, e não exclusivamente do actual, é o subdesenvolvimento.

A “Cáritas in veritate” (CV) tem como tema principal o desenvolvimento, surgindo na sequência da “Populorum progressio” (“O desenvolvimento dos povos”, de 1967), de Paulo VI, e da “Sollicitudo rei socialis” (“A solicitude social da Igreja”, de 1987), de João Paulo II. A nuvem de letras aqui reproduzida, elaborada pelos bispos norte-americanos com base nas palavras mais referidas na encíclica, mostra bem que “human development” é a expressão mais relevante da encíclica.

É célebre a acepção de Paulo VI de que o desenvolvimento deve ser para todos e para a pessoa toda, nas suas várias dimensões. Bento XVI não apresenta uma definição nova de desenvolvimento, preferindo dar seguimento à “visão articulada” de Paulo VI, esclarecendo que o Papa Montini “com o termo «desenvolvimento» queria indicar, antes de mais nada, o objectivo de fazer sair os povos da fome, da miséria, das doenças endémicas, e do analfabetismo”. E explica o que isso significava para os povos, segundo Paulo VI: “Do ponto de vista político, a sua participação activa e em condições de igualdade no processo económico internacional; do ponto de vista social, a sua evolução para sociedades instruídas e solidárias; do ponto de vista político, a consolidação de regimes democráticos capazes de assegurar a liberdade e a paz” (CV, 21).

Como é evidente pelas notícias e pelas experiências próprias ou de conhecidos, o sonho de desenvolvimento de Paulo VI ainda não se realizou. Escreve Bento XVI: “Interrogamo-nos até que ponto as expectativas de Paulo VI foram satisfeitas pelo modelo de desenvolvimento adoptado nos últimos decénios”. Não foram. O Papa reconhece que houve alguma evolução. “Milhões de pessoas” saíram da “miséria” e “muitos países” têm agora a “possibilidade de se tornarem actores eficazes da política internacional”. Mas, na globalidade, o mundo é subdesenvolvido. Fiquemos apenas com os dados da pobreza extrema e moderada, segundo Banco Mundial. Mil e cem milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia (pobreza extrema). Dois mil milhões de pessoas vivem com menos de dois dólares por pessoa por dia (pobreza moderada). É quase metade dos 6,8 mil milhões de habitantes deste planeta.

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