A Augusta, de Águeda, a Rosa, de Penafiel, e a Lina, de Aguada de Baixo, partilham um pouco da sua experiência missionária em Luanda, numa paróquia geminada com a de Águeda.
Eram seis e trinta da manhã quando aterrámos no aeroporto de Luanda. À nossa espera estava o Sr. Padre Frazão, missionário da Boa Nova, que nos levou directamente para Santa Ana, não pela melhor estrada, mas, por causa de um desvio imprevisto à saída do aeroporto, por um bairro que nos preparou imediatamente para o pior cenário – muito pó, lama, lixo, trânsito caótico, vendedores ambulantes e crianças a brincar no meio de toda aquela confusão.
Fomos acolhidas com o sorriso ternurento da Irmã Mafalda, das Irmãs Teresianas. E foi ali o nosso dormitório, o local de preparação de actividades e o nosso refúgio nos momentos de angústia, dúvida, confusão emocional e até algumas lágrimas.
Não passou muito tempo até que o Sr. Padre nos “baptizasse” de as “AUROLI “, pois este trio de voluntárias era formado pela Augusta, casada e mãe de dois filhos, cinquenta anos, professora, da paróquia de Águeda, onde é catequista e leitora; pela Rosa, solteira, vinte e nove anos, psicóloga clínica que divide o seu tempo entre o Porto e Lousada; e pela Lina, solteira, trinta e cinco anos, professora de biologia e geologia, leitora na paróquia de Aguada de Baixo, mas mais tempo em S. Pedro do Sul, onde trabalha.
No dia seguinte à nossa chegada, começámos a delinear a Formação de Professores das Escolas de Santa Ana, sob a direcção das Irmãs Teresianas, e da Escola de Santa Teresa, sob a direcção das Irmãs Escravas do Divino Coração. Ao fim da tarde desse segundo dia, tínhamos a sensação de ali estarmos há muito tempo, pois tão bem acolhidas e tão integradas nos sentíamos que já nos parecia um pouco irreal o cenário inicial.
Após duas semanas dedicadas à Formação de Professores nas áreas da Pedagogia e Psicologia do Desenvolvimento e do trabalho directo com um grupo de crianças – uma vez que estavam em época de pausa pedagógica –, passámos a dividir o nosso tempo entre as duas Escolas e a trabalhar directamente nas salas de aulas, em substituição de professores que faltavam ou a dar apoio a outros. A Rosa trabalhava com algumas crianças com comportamentos mais preocupantes.
A nossa vida decorreu dentro dos muros das missões, exceptuando-se as viagens pelas ruas que separavam as duas Escolas.
Protagonismo dos jovens
Maravilhou-nos o movimento de pessoas e principalmente dos jovens na paróquia de Santa Ana. Aos fins-de-semana, as salas de aula transformavam-se em salas de reunião de diferentes grupos, desde encontros de catequese de crianças, grupos de jovens, casais… Durante a semana, no fim da Eucaristia da tarde, em que participávamos, havia ensaio de diferentes grupos corais. Por isso, tínhamos o privilégio de jantar ao som daqueles cânticos maravilhosos.
O momento mais marcante, para nós, em terras de Angola, foi sem dúvida a Festa de Santa Ana – uma semana completa com oração e reflexão de diferentes temas, na Igreja, antes da Eucaristia da tarde, dinamizadas por grupos paroquiais. Foi bonito ver tanta gente, de todas as idades, em dias de semana, caminhar para a Igreja e quase a encher (tem lugar para cerca de oitocentas pessoas sentadas). No sábado, fez-se uma procissão de velas com mais de um milhar de pessoas – como nos comoveu ver a alegria e emoção de tantas “mamãs” a cantar à “Mamã Santa Ana” – que terminou com a Igreja a abarrotar de pessoas a ouvir algumas palavras do Sr. Bispo de Luanda, que quis estar presente.
Domingo. Tanta organização, tanta ordem, tanto respeito numa missa campal nunca feita antes. Os jovens foram a pedra fundamental de toda a organização. Do mais novo ao mais velho, todos respeitam as suas indicações. De novo a presença do Sr. Bispo e, no meio de tanta emoção, tanta fé, tanta participação, nem faltou o baptismo, a primeira comunhão e a confirmação de uma “mamã” de cerca de oitenta anos.
“Boa viagem e rápido regresso”
No último fim-de-semana que passámos em Santa Ana, um dos corais de jovens desta paróquia promoveu um Encontro de Coros de Música Sacra, que congregou diferentes Igrejas – Católica, Anglicana, Pentecostal, Metodista, Baptista. Que maravilha!…
Poderíamos falar muito mais de emoções, sentimentos, respeito, vida em comunidade – coisas que nos maravilharam e que tornaram difícil a partida. Só a promessa que fizemos aos professores, irmãs, padres e pessoas com quem partilhámos o nosso tempo, de que tudo faremos para voltar no próximo ano de alguma forma diminuiu a dor do regreso às nossas origens.
Alguém se despediu de nós dizendo:
– Boa viagem e rápido regresso.
Nós respondemos:
– Se Deus quiser, e certamente o deseja, para o ano cá estaremos as três, para continuar o trabalho iniciado.
Agradecemos-Te, Deus, esta experiência tão rica.
AUROLI, AUgusta, ROsa, LIna
