O Pe João Gonçalves desdramatizou o significado do sequestro ao Pe Júlio Lemos, na prisão de Pinheiro da Cruz. “Pode acontecer a qualquer pessoa, pode acontecer cá fora”, disse ao Correio do Vouga. Para o coordenador nacional das Pastoral das Prisões e capelão do Estabelecimento Prisional de Aveiro, o sequestro levado a cabo por dois reclusos que exigiam ser libertados aconteceu num ambiente de “pessoas sofredoras” e não põe em causa o trabalho que os sacerdotes e visitadores fazem um pouco por todo o país, nos estabelecimentos prisionais.
O sequestro durou entre as 10h30 de domingo, após a celebração da Eucaristia, às 5h50 de segunda-feira, altura em que PJ e a GNR neutralizaram os sequestradores, quando estes se dirigiam para a viatura que tinham solicitado para fugir.
Segundo se soube mais parte, o plano do sequestro tinha por alvo um guarda prisional. Mas, no domingo, nenhum guarda estava na capela. Por isso, raptaram o capelão.
O coordenador da Pastoral das Prisões considera o Pe Júlio Lemos um sacerdote “muito sério” no seu trabalho, “dedicadíssimo”, “óptimo na relação com os reclusos”, o que de alguma forma se revela na banda de música que formou com alguns detidos em Pinheiro da Cruz. No sábado anterior ao sequestro, o sacerdote de Aveiro falara ao telefone com o Pe Júlio Lemos precisamente para combinar um concerto dessa banda em Fátima.
Interrogado sobre o seu trabalho de quase três décadas nas prisões, Pe João Gonçalves admite que pode ter havido “alguma intimidação” por parte de reclusos, mas nunca a sentiu como significativa.
