O apetecível mês de Novembro

Ponta de Lança Num fim-de-semana em que não houve futebol, tudo fica mais pesado e ilusório!

Em contraponto com o imaginário que envolve o mês de Agosto (“mês de desgosto”), em que parte das maiores tragédias da humanidade tiveram o seu início (as duas grandes guerras, a invasão do Kuwait, os lançamentos das bombas atómicas,…) parece-nos importante abordar o mês de Novembro e o significado que terão, na vida colectiva e pessoal, estes penúltimos trinta dias do ano.

O significado de Agosto, como sabemos, deriva do latim Augustus. É o oitavo mês do calendário gregoriano. É assim chamado por decreto em honra do imperador César Augusto. Este não queria ficar atrás de Júlio César, em honra de quem foi baptizado o mês de Julho, e, portanto, quis que o “seu” mês também tivesse 31 dias. No Brasil, Santos Dumont popularizou, numa modinha, este mau-presságio que representa Agosto:

Mês terrível, funesto mês de Agosto/ Mes de desgostos, mês trágico e fatal:/

Soou pelo espaço o trom de guerra.

O mês de Novembro, o décimo primeiro mês do ano, no calendário gregoriano, com a duração de 30 dias, deve o seu nome à palavra latina novem (nove), dado que era o nono mês do calendário romano, que começava em Março.

Este (Novembro), entre nós, começa a demonstrar ser também feroz com o pensar e agir dos portugueses. Vamos sentindo o mesmo peso sorumbático do terrível mês de Agosto de outras latitudes.

Provavelmente pelo efeito de conjugação de várias causas, este período que medeia o fim do Verão e o aconchego do Natal, do encontro, do passeio agasalhado pelas ruas, do cheiro a “novo” (ano, logo se vê) que se aproxima cheio de esperança – dentro do mesmo imaginário subconsciente. Começa com o dia de “Todos os Santos” e termina com a Restauração.

Por ser “nove(mbro)”, é irredutível; como se sabe todos os seus múltiplos regressam indefectivelmente a ele, por exemplo: 9 x 2 = 18 = 1 + 8 = 9 ; 9 x 3 = 27 = 2 + 7 = 9 ; 9 x 4 = 36 = 3 + 6 = 9 , etc. Talvez por isso, Novembro seja o período das tentativas irredutíveis da afirmação das insatisfações provocadas por todos os movimentos cósmicos; o mês do fim do Verão (raiz para o dia das bruxas na cultura celta), o mês da depressão, da contestação, da negação de tudo o que tem de ser cumprido, … do debate do orçamento, da aniquilação da razão em favor da paixão; … mês da comemoração das lutas contra os Filipe de Espanha, preparação da restauração.

Lamentavelmente, para quem passa cada Novembro a viver sob este pretexto (mesmo que inconsciente) e neste contexto (contestação e mal estar), rapidamente constata que nada pode quando a razão e o bom senso deixam de guiar o mundo. Assim, não nos podemos esquecer de que, por mais que multipliquemos a irredutibilidade do nosso agir e pensar, todos os outros estão sob o mesmo efeito e permanecerão também irredutíveis!

E passado o mesmo ciclo de dias (365)… voltaremos a Novembro!?

Contando que, depois de Novembro, vem a Restauração e o Natal… vale a pena transformar o ambiente para… apetecível mês de Novembro! Ou seja, a última oportunidade antes do fim (do ano)!

Desportivamente… pelo desporto!