Com olhos novos: a conversão de Alessandra Borghese

Colaboração dos leitores De passagem por Lisboa para apresentar o seu livro, Alessandra Borghese encantou todos os que a conheceram nessa ocasião, na Embaixada de Itália. Fica agora disponível em português o relato da sua conversão. Educada de acordo com os costumes da sua família – da mais antiga aristocracia italiana – Deus era, na sua vida, alguém a quem recorrer em caso de necessidade e pouco mais. Até ao momento em que a sua amiga Gloria von Thurn und Taxis a convidou, em 1998, para passar uns dias no seu castelo de Tuzing, na Alemanha. Entre os variados programas de ocupação para os seus convidados, Gloria incluiu a Missa. Alessandra participou ao princípio apenas por boa educação, iniciando um processo de reaproximação à fé católica, a que também não é alheia a pessoa de João Paulo II.

Adolescente na altura em que João Paulo II foi eleito Papa, viria mais tarde a ter uma oportunidade de rezar fisicamente bem perto do Papa na Capela Borghese, de Santa Maria Maior, em que estão sepultados vários membros da sua família, entre os quais o pai. Impressionaram-na a intensidade e concentração do Papa a rezar o Terço, diante da imagem de Maria Salus Populi Romani. O livro foi publicado em italiano no fim de 2004, ainda em vida de João Paulo II, o que torna o testemunho de gratidão mais forte ainda.

Ao passear em Roma, em turismo ou peregrinação, somos frequentemente surpreendidos com lugares que evocam esta família: Villa Borghese, pulmão da cidade, e, dentro do parque, o museu, a capela Borghese em Santa Maria Maior, o apelido na fachada de S. Pedro, pois Camillo Borghese foi o Papa Paulo V. A herdeira deste nome de família regressou à pátria espiritual dos seus antepassados e conta-o num livro a não perder. A motivação para escrevê-lo vem contada pela autora no Prólogo:

“Reencontrei em plenitude uma fé cristã-católica nunca inteiramente extinta, mas seguramente comprimida e sufocada numa esquina remota do coração. Não podia calar-me mais ou dar-me por contente ao comunicar este acontecimento apenas a alguns amigos”. Numa co-edição Tenacitas/Diel, as 190 páginas de texto lêem-se de um fôlego, como uma experiência de vida que continua o entusiasmo dos grandes convertidos de todas as épocas da história.

Ana Amaral