Saramago e o Papa

Uma pedrada por semana José Saramago já anunciou ao país que não iria ao encontro do Papa com os homens de cultura, a realizar em Lisboa. Provavelmente nem concordará com este encontro. Mas, apesar disso, certamente que o encontro se realizará, a menos que o Papa não venha a Portugal por não se poder garantir, por completo, a sua segurança, o que esperamos que não aconteça.

O Nobel gosta de aproveitar acontecimentos públicos para falar alto e saltar para as primeiras páginas dos jornais. Como se respeita a liberdade das suas opiniões e opções, ninguém tem que estranhar que ele junte agora, aos seus ódios de estimação, o papa Bento XVI.

Mas, também, tem de se habituar, se ainda for capaz disso, a respeitar as opiniões e opções dos outros e a saber ver a importância concreta dos acontecimentos, mesmo que não lhe digam respeito, por ele assim quer.

Bento XVI, goste-se ou não dele, para além da sua missão espiritual, é homem da cultura, reconhecido como tal e com provas dadas, por quem é capaz de distinguir, com objectividade, a realidade do preconceito, o valor da pessoa da antipatia por ela.

O encontro de Paris, logo em Paris, realizado há meses, com centenas de homens da cultura, crentes, ateus e agnósticos, que, de modo livre e interessado, o foram escutar dissertar sobre a laicidade, demonstra-o à saciedade

Declarar que não vai, interessa a quem e porquê? O mundo, mesmo o da cultura, o de cá e o de fora, não roda, por certo, à volta de José Saramago, nem está pendente do seu parecer para as suas opções. Será que ele julga que sim?

Como este juízo lhe dá gosto e não prejudica ninguém, também o devemos respeitar. Porque não?