1. A verdade liberta; a mentira corrompe, gera labirintos destruidores de toda e qualquer réstia de confiança. É verdade que quem acusa deve provar a acusação. Mas também é certo que “quem não deve não teme”. Nesse caso, os “acusados”, cientes da sua inocência, não deveriam arranjar subterfúgios; deveriam ser os primeiros interessados a revelar tudo o que pudesse desmascarar a falsidade das acusações. Os acusadores veriam, assim, goradas as suas hipotéticas estratégias de “linchamento”. E, bem entendido, seriam punidos pelas suas calúnias.
Não é isto que acontece. Os responsáveis pela moralização da vida pública, pela credibilidade das instituições estatais – pressuposto indispensável para uma vida social serena e harmoniosa, para uma vida económica sustentada e confiante -, perdem-se em justificações e contraditórios que agravam exponencialmente a confusão.
Ante o que se está a passar, como pode o cidadão comum sentir-se esclarecido, saber que tem uma justiça isenta, confiar na governação?… Sem verdade, não há futuro que se possa desenhar, não há confiança que se possa retomar.
2. “A história é mestra da vida”, não para se repetir inadequadamente, mas para que se possa construir sobre reais fundamentos. Os factos a criar são distintos, as estratégias são diversas; mas há princípios que permanecem.
“O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública”.
Pensaríamos que estas palavras seriam de algum analista dos nossos dias, como recomendação aos que detêm o poder e a todos os cidadãos. Mas quem o escreveu foi Marcus Tullius, em Roma, no ano 55 a.C. Será que antevia a situação caótica em que nos temos vindo a afundar?
No contexto português do momento, dispensa comentários a actualidade deste texto. Para todos! Para governantes e governados!
