Questões Sociais Existem, no país, algumas realidades que não têm sido objecto da devida atenção. Duas dessas realidades são a família e a economia de subsistência.
Ambas existem, como é evidente, em todas as localidades, constituem a base da coesão social, transmitem valores de geração em geração e integram-se no lastro da vida económica e social.
A inserção familiar é comum a todos os cidadãos, mesmo quando a família está diluída ou limitada a uma só pessoa. Por seu turno, a economia de subsistência é o recurso fundamental de muitas famílias: a empresa familiar continua bem presente no nosso tecido económico, e inúmeras famílias, que já ultrapassaram a fase da economia de subsistência, são herdeiras de antepassados que sobreviveram através dela.
Esta economia foi, e continua a ser, uma alta expressão de luta pela vida e de cultivo de valores morais. E, na simbiose da vida familiar com a economia de subsistência, têm sido moldadas, numa larga medida, as sociedades humanas ao longo dos séculos.
O Governo actual, como os anteriores, menospreza estas realidades. Poucas medidas de política lhe são dirigidas, com notório prejuízo e grave marginalização para as situações de carência mais graves.
A ciência económica ocupa-se da média e da grande empresa, com base, frequentemente, em modelos estrangeiros. Deixa de fora, por via de regra, a economia e a empresa familiares, a micro e a pequena empresa e todo o lastro formado pela economia de subsistência na luta pela vida. É deveras impressionante o desprezo científico a que estas realidades são votadas.
Também a família enquanto tal levou algum tempo até ser objecto sistemático de investigação social. Entretanto, continuam a suscitar uma atenção muito limitada alguns temas nevrálgicos, tais como: a violência familiar (abordada sem sensacionalismo); a repartição de rendimentos no interior da família; a gestão de recursos escassos; as situações de inexistência de rendi-mentos; a adaptação das famílias ao nascimento dos filhos; a inserção de membros da família portadores de deficiência ou de acentuada perda de autonomia…
Estará o Governo disponível para integrar nas suas políticas de rigor financeiro os modelos ancestrais de austeridade que são a família e a economia de subsistência?
