Revisitar o Magistério É a grave responsabilidade e concomitante alegria de quem acolhe o chamamento de Jesus Cristo e assume o ministério sacerdotal: ser o rosto humano do perfil divino do Senhor Jesus. O Bispo de modo relevante, na medida em que lhe cabe animar todo o serviço da Igreja. Di-lo muito bem o Hino do Prelado de Aveiro. “Perfil divino, em traços humanos – eis a figura do Bom Pastor! Mudam os rostos, passam os anos; não passa Cristo, nem muda o amor!”
A sucessão é a concretização desta perenidade apostólica: o amor de Cristo, derramado em nossos corações, a irradiar no Mundo pela Igreja, não passa nem muda. Mudam aqueles que devem empenhar-se em lhe dar corpo, em fazê-lo notar, em insuflar-lhe novo impulso, em tornar essa realidade inefável vida quotidiana das gentes.
Todos somos responsáveis por esta fidelidade e actualização. As circunstâncias da história transformam-se – passam os anos; as pessoas dão lugar umas às outras – mudam os rostos. Todavia, a Igreja, que uns e outras desenham com determinados matizes, não pode deixar de fazer brilhar no seu existir, na sua dinâmica, o permanente amor salvador de Jesus Cristo, sem pré o mesmo e sempre novo!
É toda a Igreja que recebe a sublime tarefa de acolher, viver e transmitir a Mensagem, íntegra a um tempo e apetecível. A corresponsabilidade dos cristãos passa pelo acolhimento amigo, pelo encorajamento do Pastor, pelo afecto espiritual com ele, pela partilha das suas preocupações e ansiedades, pela crítica construtiva, pela sugestão lúcida.
A comunidade cristã, com a sua pujança de fé, com a sua vida de esperança, com a o hábito permanente da caridade sem condições, ampara, estimula, dá segurança ao próprio ministério ordenado. Se o clima da Comunidade (das Comunidades) é esta vida edificante, o perfil divino assume-se mais notoriamente no rosto dos que a servem.
No preciso momento em que muda o rosto do Bispo diocesano, passados quase vinte e seis anos de dedicado serviço à Igreja de Aveiro, importa fazer o nosso exame de consciência sobre o contributo que demos, para que a palavra, a acção, toda a presença de D. António Marcelino fosse perfil divino entre nós.
E, consequentemente, recusando expectativas apenas em relação a quem vem de novo – D. António Francisco, é imprescindível equacionarmos que contributos somos capazes de dar e nos dispomos a dar, para que esse perfil divino tome rosto humano ao encontro das pessoas da nossa Diocese.
O marco da história, que depois de amanhã se escreve em Aveiro, não é um facto alheio a ninguém destas terras que se diga cristão, nem sequer a qualquer membro da sociedade aveirense. A história que seremos vai escrever-se, de hora em diante e enquanto o Senhor quiser, com o Bispo António Francisco. Como se escreveu, nestes anos, com o Bispo António Marcelino.
Querubim Silva
