Todos temos uma missão profética

À Luz da Palavra – II Domingo do Advento – Ano C A liturgia da Palavra deste domingo recorda-nos que todos nós, baptizados em Cristo, participamos da sua missão profética, isto é, temos o dever de anunciar o Evangelho e denunciar as situações mundanas que são anti-evangélicas. Esta missão profética exerce-se através de todo o dinamismo do nosso ser, que é composto por ideias, intenções, sentimentos, palavras e acções. A Palavra convida-nos a deixarmo-nos impregnar por ela, eliminando todos os obstáculos, para que a nossa missão profética seja portadora da autêntica mensagem de Deus às pessoas da nossa contemporaneidade.

Na primeira leitura, o profeta Baruc diz-nos que este tempo de Advento é o “espaço” favorável para soltarmos as amarras da nossa própria escravidão e para nos deixarmos conduzir à bondade e à ternura de Deus, na alegria e na liberdade de filhos e filhas. Neste ambiente, havemos de descobrir o nosso ser comunhão, pelo dom de Deus, e construir fraternidade, partilha e serviço. Que escravidões me habitam ainda? Que modelo de comunidade cristã estou eu a construir?

O evangelho situa-nos num tempo e num espaço concreto, no qual João Baptista inicia a sua missão profética. Ele é o escolhido por Deus para convidar os seus ouvintes à conversão e à penitência, ou seja, à mudança de mentalidade e de vida, para que possam acolher a chegada de Jesus. De facto, num momento dado da história humana e numa geografia concreta, Deus fez-se próximo de nós no Menino de Belém. Mas Jesus ainda não “invadiu” o coração de cada homem e mulher, nem sequer daqueles que também O anunciam. Há zonas escuras no nosso ser, feitas de ódio, vingança, egoísmo, opressão, violência, que clamam por uma urgente mudança. Preparar o caminho do Senhor, é tomar consciência da minha situação cristã existencial e reorientar-me para Deus. De que de modo é que os valores e os critérios evangélicos conduzem a minha vida e me levam a dar testemunho deles?

Na segunda leitura, Paulo adverte-nos contra o espírito de rivalidade, de crítica destrutiva e de luta pelo poder, entre outros, que conspurcam o nosso coração e o tornam opaco e impermeável à Palavra de Deus. Tomar parte na causa do Evangelho, isto é, ir e ensinar, como Jesus recomenda, é um grande feito que Paulo agradece aos cristãos de Filipos, a quem é dirigida esta carta. Cada comunidade cristã há-de estar preocupada com o anúncio profético e manifestar o seu apoio àqueles que a ele se dedicam de modo especial, como os pregadores, os catequistas, os missionários… Jesus só pode “nascer” no coração de cada pessoa, se houver quem O anuncie. A minha comunidade sente este imperativo evangelizador? A caridade une e polariza a minha comunidade na mesma missão profética? Isto é condição essencial para podermos viver o Natal do Senhor.

Leituras do II Domingo do Advento – Ano C: Baruc 5,1-9; Sl 126 (125),1-2ab.2cd-3.4-5.6; Fl 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

Deolinda Serralheiro