Política, economia e diplomacia à volta do bacalhau

Novo livro de Álvaro Garrido Director do Museu Marítimo de Ílhavo apresentou o livro sobre o período áureo e decadente da pesca do bacalhau. A obra deverá ser igaulmente publicada no Canadá.

No Museu Marítimo de Ílhavo, foi apresentado o livro “Economia e Política das Pescas Portuguesas”, que tem por subtítulo “Ciência, Direito e Diplomacia nas Pescarias do Bacalhau (1945 – 1974)”, da autoria de Álvaro Garrido, docente e investigador na Universidade de Coimbra e director daquele museu ilhavense, editado pela Imprensa de Ciências Sociais.

O autor da obra sublinha que o livro analisa, “numa perspectiva histórica, a história económica da pesca em Portugal, em especial, a pesca do bacalhau”. Explica “de que modo é que a pesca do bacalhau foi paradigmática do declínio de um sector que tinha uma grande centralidade na dita economia nacional corporativa e a perdeu perante o influxo de um conjunto de mutações externas de que o problema do desequilíbrio natural, isto é, da escassez ou da sobrepesca, foi o primeiro”. A par disso, Álvaro Garrido aborda também “a recepção em Portugal, sob a oligarquia corporativa liderada por Henrique Tenreiro, do problema da sobrepesca, problema bio-económico”, nomeadamente “as opções e estratégias diplomáticas do governo português para combater essas ameaças externas de contenção da campanha do bacalhau”. No final, o livro faz uma análise “quase de história do presente, isto é, dos anos 70 e 80, no sentido de articular esse passado recente das pescas portuguesas, e em especial das pescarias do bacalhau, com o seu cenário do presente”. Por isso, o autor refere que “é um livro de história do presente ou de sociologia histórica”.

O período compreendido entre 1945 e 1974 é o mais áureo da pesca bacalhoeira portuguesa, mas é também, no dizer de Álvaro Garrido, “o princípio do fim”, porque “o termo da guerra é o período em que a maioria dos países industrializados ocidentais e do ex-bloco do Leste fazem uma corrida aos grandes bancos da pesca do bacalhau, em busca de uma industrialização massiva” e é também o período em que “o deseqílibrio entre os recursos disponíveis e os meios de captura se começa a desenhar com nitidez”.

A par disso, em 1974 ocorreu a revolução do 25 de Abril, que teve como consequência “uma viragem estratégica nas orientações da política de pescas portuguesas, que deixa de privilegiar as pescarias longínquas e passa a privilegar as pescarias costeiras e artesanais”.

Este livro é, no dizer do seu autor, uma “versão alargada e revista de um capítulo que ficou por publicar no livro «Estado Novo e a campanha do bacalhau», editado pelo Círculo de Leitores”, livro esse que condensa a tese de doutoramento que Álvaro Garrido apresentou na Universidade de Coimbra. O presente livro “tem um conjunto de problemáticas próprias e autónomas. É um livro de história da ciência, de história da diplomacia, em torno das pescarias do bacalhau”.

O director do Museu Marítimo de Ílhavo espera que o livro também seja publicado no Canadá, porque, como refere, “é essa a iniciativa e a vontade da Embaixada do Canadá em Lisboa”, porque “há um capítulo neste livro que trata das relações luso-canadianas em torno dos direitos de pesca e das políticas de recursos”, até porque “boa parte da investigação foi feita no Canadá”.

O prefácio do livro é assinado pelo professor Mário Ruivo, um especialista e investigador em assuntos de direito do mar, de pescas e de recursos marinhos.