Livro Paulo, escritor de cartas
Jerome Murphy-O’Connor
Ed. Paulinas
190 páginas
Do mesmo autor de “Paulo” e “Paulo e Jesus” (ambos os livros recenseados neste jornal) e de “Paulo e as mulheres”, em parceria com Cettina Militello e Maria Luisa Rigato, surge agora, sempre nas edições Paulinas, “Paulo, escritor de cartas”.
O Ano Paulino passou e poucos efeitos deixou. Foram criados grupos bíblicos? Aumentaram as pessoas desejosas de conhecer e mensagem do Apóstolo? O cristianismo ficou mais centrado em Jesus Cristo em detrimento de outras práticas, devoções e estratégias? Aumentou o diálogo ecuménico, já que as teologias paulinas estiveram na base de variadas divisões cristãs? Não sei. Mas pelo menos ficaram bons livros sobre o Apóstolo, como os acima referidos, numa editora católica, ou, por exemplo, “Paulo de Tarso na Estrada de Damasco”, do luterano Walter Wangerin, na “laica” Presença.
Jerome Murphy-O’Connor, padre dominicano irlandês e professor na Escola Bíblica de Jerusalém, além de explicar a estrutura e o conteúdo das cartas paulinas – apesar de por vezes parecer que fica muito na forma e vai pouco ao conteúdo – aborda ao longo das primeiras 56 páginas tudo o que estava à volta de escrever e enviar uma carta no primeiro século do cristianismo. E isto é novidade, pelo menos dos livros de divulgação de teologia. Murphy-O’Connor discorre sobre as ferramentas do escritor, os secretários e suas competências, o modo de enviar cartas, recorrendo às pistas que deixaram autores clássicos como Cícero e Marcial. Fica-se assim a saber que a capa (pintura do séc. XVII seja de Valentim de Boulogne ou de Nicolas Tourner) tem pelo menos três anacronismos. Na época de Paulo não se escrevia com uma pena mas com um cálamo de cana, ainda não havia livros nem códices mas simplesmente folhas soltas e rolos e, de um modo geral, Paulo tinha secretários a quem ditava as cartas.
