Concorrentes do “Aveiro Jovem Criador 2006”, cujos premiados foram conhecidos no último sábado, revelam muito talento. Os trabalhos podem ser vistos no Museu da Cidade.
Um sucesso. É o mínimo que se pode dizer do concurso “Aveiro Jovem Criador 2006”. 240 (168 no ano passado) concorrentes, todos os prémios atribuídos e muitas menções honrosas. A grande qualidade dos trabalhos concorrentes pode agora ser verificada na exposição, que decorre até 11 de Fevereiro no Museu da Cidade (antigo Museu da República, na rua João Mendonça).
Na sessão de atribuição dos prémios, o vereador do Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Aveiro, Pedro Ferreira, afirmou que o concurso “está a tornar-se uma referência a nível nacional”. Um olhar pela proveniência dos concorrentes confirma-o: cerca de metade vêm do Centro, um pouco mais de um quarto vem do Norte e os restantes do Sul. Sinal do interesse que o concurso despertou foi igualmente o facto de a Assembleia Municipal, onde decorreu a atribuição dos prémios, no dia 13 de Janeiro, estar completamente cheia. Muitos dos jovens artistas tiveram de sentar-se no chão.
A concurso estiveram quatro áreas: Escrita (com 85 concorrentes), Fotografia (69), Pintura (58) e Arte Digital (28). Os jovens deviam ter entre 18 e 35 anos. O valor dos prémios foi igual para todas as áreas: 750 euros para o primeiro, 500 para o segundo e 250 para o terceiro.
Comentando os trabalhos da área da Escrita, Idália Sá-Chaves defendeu que “quem narra, narra-se” e que o artista, “escrevendo, se desnuda, mesmo pensando que se encobre”. Daí que pudesse formar uma imagem dos jovens concorrentes. E o que encontrou? Principalmente pessimismo ou, como disse, citando Rui Veloso, “o lado lunar” da condição humana. “Quem procura nem sempre encontra”, acrescentou.
Os textos a concurso falam da “violência das dores terminais”, da brutalidade das drogas e da “morte sem redenção possível”, de doenças e obsessões sexuais. “Múltiplas formas de descida aos infernos”, resumiu Idália Sá-Chaves.
Milú Sardinha, elemento do júri da área da Pintura, sublinhou que “criar é um acto transformador”, enquanto Luís Pinto, do júri de Artes Digitais, realçou a coragem para concorrer, embora notasse que é necessário um especial cuidado na sua área, porque a obra digital impressa pode, de alguma forma desiludir em termos de resultado final. Outra sugestão deixou Luís Oliveira, elemento do júri de Fotografia. Primeiro, mostrou-se agradado, porque hoje todos podem ser fotógrafos. “Basta ir ao supermercado, comprar uma máquina, um computador e uma impressora. O facilitismo e imediatismo é bom”, disse. Mas, depois, deixou “um desafio e provocação” aos jovens artistas, para a fotografia não se transformar em mero exercício tecnológico: “No próximo ano, se quiserem concorrer, primeiro escrevam um texto sobre o que desejam expressar. A uma semana da entrega dos trabalhos, façam uma fotografia e entreguem essa foto”.
Vencedores
Arte Digital
1. Ana Filipa Sérgio Romão Machado – “Picopico”
2. Brimet Fernandes da Silva – “The Question is…”
3. Vasco Miguel Neves de Melo, Luís Ribeiro e Victor Queiroz – “Tachos”
Escrita
1. Marlene Correia Ferraz – “O Último Dilúvio”
2. Nuno Miguel Morna de Oliveira – “Sobe, não ligues à luz”
3. Liliana Sofia Silva Ribeiro – “A mulher que morreu várias vezes”
Fotografia
1. Pedro Vanzeler Colaço – “End of Story”, com seis elementos.
2. Diogo Ramos Moreira – “Desenhos de Luz”, com três elementos.
3. Henrique Loff – “Sem Título”, com seis elementos
Pintura
1. Elizabeth Martins Leite – “Homem e Homem”
2. Estela Sofia dos Reis Pereira – “Sem Título”
3. Teresa Sílvia Antunes dos Santos Dixo – “O Coelho Azul é um excelente Lord”
