A memória de Ílhavo passa por este museu

No último sábado, o Navio Museu Santo André reabriu ao público, depois de três meses de encerramento, período durante o qual teve uma “estadia” no estaleiro da Navalria. O navio Santo André regressou ao seu cais de atracagem, no Canal de Mira da Ria de Aveiro, na zona do Forte da Barra e do Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré.

Como qualquer navio, também o Santo André necessita periodicamente de receber trabalhos de manutenção. Nesta “estadia” no estaleiro, a embarcação foi objecto de trabalhos de recuperação da infra-estrutura, nomeadamente de pintura e isolamento do casco, trabalhos que prosseguiram depois do barco regressar ao seu local, com a beneficiação da superestrutura e dos interiores.

Para além da manutenção da embarcação, em termos museológicos, o Santo André ganhou um novo discurso expositivo, com legendagem de todos os espaços de visita das antigas funcionalidades do navio (das cozinhas aos camarotes, passando pela ponte e convés), ao mesmo tempo que foi reforçada a segurança no circuito de visitas. A par disso, o antigo paiol das redes recebeu um atelier para os Serviços Educativos e a instalação do equipamento para o visionamento do filme de animação sobre “Pesca, Recursos e Ambiente”. O antigo porão de congelados ficou dotado com um memorial interactivo contendo os nomes e rostos de todos os tripulantes do navio, no período entre 1948 e 1975.

Entre os projectos para o corrente ano, Álvaro Garrido, director do Museu Marítimo de Ílhavo, que tutela o Navio Museu Santo André, destacou a publicação de um livro sobre a história do navio Santo André.

O presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, aproveitou a cerimónia de reabertura do Navio Museu Santo André para anunciar que, brevemente, o “pai” do projecto de reabilitação e adaptação do navio Santo André a museu, Manuel Serra, será alvo da devida homenagem pública por parte do município ilhavense.

… E programa do 70º aniversário do Museu Marítimo

Este ano, o Museu Marítimo de Ílhavo vai assinalar o seu 70º aniversário, com um programa que se estende ao longo de todo o ano de 2007, mas que terá o seu momento alto no dia 8 de Agosto, data do aniversário, com o evento “70 anos, 70 horas no Museu”, que inclui exposições, conferências, visitas guiadas, filmes, espectáculos. O destaque vai para a inauguração da exposição “A diáspora dos Ílhavos – Realidades e Mitos”, e para a apresentação do livro “Museu Marítimo de Ílhavo – um Museu com História” e do catálogo-inventário “Colecção de Arte do Museu (Pintura e Escultura)”.

A apresentação oficial do programa do aniversário do museu teve lugar na cerimónia de reabertura do Navio Museu Santo André, durante a qual Ribau Esteves sublinhou o desejo da autarquia “elevar o museu para os patamares internacionais”, facto que também Álvaro Garrido já tinha realçado, ao dizer que o museu está integrado em projectos europeus, tendo apresentado duas candidaturas a parcerias que envolvem os principais museus marítimos da Europa.

Ribau Esteves afirmou que o “Museu é uma peça fundamental na política cultural do município” e que a história do concelho de Ílhavo se faz pela sua história, que é única, em conjugação com as outras belezas existentes no concelho.

Da programação de 2007, já está patente ao público a exposição de fotografia “Heróis do mar”, de Bill Perlmutter, cedida pelo Centro Português de Fotografia.

O Museu Marítimo de Ílhavo abriu as suas portas no dia 8 de Agosto de 1937, num secular edifício situado próximo da Igreja Matriz de Ílhavo. Como principal fundador, surge o nome do ilhavense Américo Teles, coleccionador e etnógrafo do litoral português. O seu primeiro director foi o historiador e arquivista António da Rocha Madhail.