À Luz da Palavra – 4º Domingo do Tempo Comum – Ano C A liturgia da palavra deste domingo convida-nos a recordar e a revigorar a nossa vocação baptismal de “profeta”, como participantes na missão de Jesus Sacerdote Profeta. Reflectindo sobre o que os textos bíblicos nos narram sobre as dificuldades que tiveram aqueles e aquelas a quem Deus confiou esta missão, podemos sentir-nos mais iluminados e fortalecidos na nossa própria vocação cristã, cuja essência é o amor.
Na primeira leitura, o profeta Jeremias dá-nos a conhecer a maravilha do amor de Deus, que o chama à vocação profética, ainda antes de ser concebido no seio de sua mãe. E ele deixou-se escolher e enviar pelo Senhor, cheio de coragem, porque sabia que a força de Deus estava com Ele. Na verdade, Jeremias passou por muitas dificuldades e perseguições, ao ser porta-voz de Deus para o seu povo; mas sentia-se de tal forma “invadido” por Deus e apaixonado pela sua palavra, que conseguiu viver até ao fim em total fidelidade à sua missão. Eu tenho consciência de que Deus me chama pessoalmente a ser sua testemunha?
Na terceira leitura, Lucas narra-nos o episódio da sinagoga de Nazaré, começado a ler no passado domingo, momento em que Jesus inicia o seu programa messiânico de proposta de libertação aos pobres e oprimidos. Ora, os judeus não estão interessados neste tipo de programa, porque sonham com um messias espectacular, milagreiro. Rejeitam Jesus e tentam liquidá-lo, como os seus antepassados fizeram a Jeremias e aos outros profetas. Esta rejeição leva Jesus a exclamar: “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. Mas, apesar das dificuldades, Jesus permanece fiel à missão que o Pai lhe confia. Como costumo eu reagir às dificuldades que me advêm pelo facto de professar a fé cristã? Sou fiel a Deus?
Na segunda leitura, Paulo tece o melhor poema ao amor-caridade. Afirma que só o verdadeiro amor é capaz de mover os profetas, do passado e do presente, no sentido de não calarem a sua voz, quando ela se inspira na verdadeira palavra de Deus, para se dirigirem aos homens e mulheres do seu tempo. No baptismo todos fomos ungidos profetas, no seguimento de Cristo. O profeta e a profetiza vivem sempre à escuta de Deus e da sua palavra e à escuta dos irmãos e irmãs que os cercam. Vivem em comunhão com Deus e sabem ler a realidade e o projecto humano e tentam perceber se este projecto está de acordo ou não com o Deus, para denunciar, avisar, corrigir. O profeta e a profetiza são pessoas cristãs, solidamente formadas, audazes, convictas. Tomam posição para defender a vida e a verdade, sempre que necessário, mesmo à custa do sofrimento, da perseguição e da marginalização. Como lido eu com a injustiça e com tudo aquilo que arruína a dignidade humana? A cobardia e o medo alguma vez me impediram de ser profeta ou profetiza?
Leituras do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano C: Jr 1,4-5.17-19; Sl 71 (70); 1 Cor 12,31-13,13; Lc 4,21-30
Deolinda Serralheiro
