Presbítero… no presbitério

Revisitar o Magistério “Fraternidade sacerdotal e agregação ao presbitério são, portanto, elementos que caracterizam o sacerdote. Particularmente significativo na ordenação presbiteral é o rito da imposição das mãos por parte do Bispo, no qual tomam parte todos os presbíteros presentes, para indicar a participação no mesmo grau de ministério e para mostrar que o sacerdote não pode agir sozinho, mas sempre no interior do presbitério, tornando-se irmão de todos aqueles que o constituem” (DMVP 25).

Esta consciência de fraternidade e corresponsabilidade, de amor e serviço comum, é estruturante não apenas da personalidade do presbítero, mas da mesma configuração da Igreja local. “A incardinação numa determinada Igreja particular constitui um autêntico vínculo jurídico, que tem também um valor espiritual, já que dela provém «a relação com o Bispo no único presbitério, a partilha da solicitude pastoral, a dedicação à cura evangélica do Povo de Deus nas condições históricas concretas e ambientais». Nesta perspectiva, o vínculo com a Igreja particular está na origem da responsabilidade na acção pastoral” (DMVP 26).

Qualquer estrutura só tem valor na medida em que serve a Vida. A vinculação a uma Igreja particular é uma expressão exterior daquilo que deverá ser o espírito que anima o ministério sacerdotal: a disponibilidade para fazer a pastoral da Diocese; a abertura de coração e de mente, para se dar e acolher, por inteiro, na diversidade de dons para benefício comum.

Ninguém faz pastoral por conta própria. A missão da Igreja é única, se bem que matizada pelas diversidades humanas das comunidades que a compõem. Ao Bispo cabe discernir os caminhos a percorrer para realizar esta missão. Com o seu presbitério, com os leigos empenhados, há-de fazê-lo na docilidade ao Espírito Santo. Mas, uma vez decididos os rumos a seguir, todos hão-de considerar sua a opção pastoral da Diocese.

Pedindo ao Pai que todos sejam um, o Senhor Jesus não excluía ninguém desta tarefa de permanecerem unidos num só coração e numa só alma. Muito menos os presbíteros, do seu Bispo e do Povo de Deus, para se tornarem testemunho credível do Reino que anunciam. O impacto da unidade – que não da unicidade! – foi e será sempre interpelação e encorajamento, para o presbitério, para as comunidades que assiste.

Querubim Silva